Bairros

Alimento de qualidade é desperdiçado

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Um levantamento parcial, feito pela Associação Paulista de Supermercados (Apas), regional Bauru, para o Programa de Reciclagem de Alimentos “Alimenta Bauru” mostra que 10% dos hortifrutis vendidos na cidade acabam sendo desperdiçados por não estarem em boas condições de comercialização.

Em números reais, isso daria aproximadamente 120 toneladas por mês. Nos restaurantes e lanchonetes, o alimento em bom estado que deixa de ser comercializado chega a 10% do total produzido. Sem ter uma destinação apropriada, acaba indo parar na lata do lixo ou nos tachos de alimentação dos suínos.

“Essa comida toda daria para acabar com a necessidade de alimentos das entidades assistenciais da cidade”, acredita Domingos Malandrino, diretor de Indústria e Serviços da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e autor do programa “Alimenta Bauru”.

De acordo com ele, esses dados mostram apenas os produtos in natura, como verduras e legumes. Se fossem contabilizadas as milhares de embalagens de produtos industrializados que são dispensadas em bom estado de conservação, o número seria ainda mais alarmante. “Não existe um controle específico desse dado, mas muitos alimentos como iogurtes, salame, mortadela, sucos, queijos e vários outros, são retirados das prateleiras dos supermercados ainda em bom estado de consumo”, afirma.

De acordo com o gerente de compras de uma rede de supermercados em Bauru, Paulo Sanches, 80% do que é descartado pela empresa ainda estão em condições de aproveitamento. “A política de comercialização da empresa dita que não se pode deixar nenhum tipo de produto com imperfeição na prateleira, seja um amassado, uma mancha, ou sinal de deterioração”, explica.

O desperdício de alimentos começa já no cultivo. Há perdas durante o plantio, o transporte e o armazenamento dos produtos. De acordo com o programa “Alimenta Bauru”, dados da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento mostram que 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) são desperdiçados por ano no País.

Em outras palavras, isso equivale a R$ 8,4 bilhões anuais que são jogados no lixo somente no que diz respeito à produção agrícola. “Isso daria para alimentar 8 milhões de famílias carentes no País”, estima Malandrino.

Imagem é tudo

Em muitos casos, os desperdícios ocorrem apenas pela aparência. Se um produto não tiver uma bela imagem para ser colocado à venda, acaba perdendo o seu valor de mercado e é dispensado. “Os alimentos que chegam até o supermercado são selecionados pelo produtor antes da entrega”, afirma Sanches.

Os hortifrutis são os mais suscetíveis às quebras (expressão usada para determinar a perda do produto). Como não têm conservantes e não são processados, a vida útil desses produtos pode ser de até um dia. “O morango, por exemplo, tem uma vida útil muito curta”, destaca Sanches.

Ele explica que, nesse quesito, as três lojas da rede movimentam 700 toneladas de alimentos por mês. Desse total, cerca de 7% acabam se perdendo, o que significa 49 toneladas de frutas, verduras e legumes desperdiçados.

Para que a perda não seja total, a empresa fez um convênio com algumas creches da cidade para a doação dos hortifrutis. “Os representantes das entidades retiram os alimentos diariamente conosco”, salienta o gerente de compras.

Os produtos que não têm mais condições de consumo são doados para criadores de suínos, que os utilizam como ração para os animais.

Uma outra rede de supermercados, que possui loja em Bauru, afirma que firmou convênio com três entidades assistenciais da cidade, que se beneficiam de produtos perecíveis de padaria, que já não têm mais condições de venda.

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