Segundo a praxe da educação convencional, política e religião não se discutem. Esse dogma-diplomático foi apregoado pelos quatro cantos do mundo na intenção de calar as diferenças, e o que sempre nos pareceu estratégia para uma convivência pacífica, tornou-se motivo de guerra. O preceito elitista desestabilizou, durante muitos anos, uma mobilização nacional em torno do sagrado e do profano. Temas como sexualidade, drogas, ecologia, educação, comportamento, foram bastante abafados pela idéia de que o povo é, no geral, ignorante e imoral. Tentaram usar antigos arquétipos moralizantes, tidos como politicamente corretos, para controlar o que alguns chamam de epidemia-social. Outros, preferem acreditar que são sinais do fim do mundo, do neo-apocalipse globalizante. Historicamente, podemos afirmar que vemos brotar uma espécie de efeito colateral daquela equivocada receita. São bons exemplos às passeatas gays e a gradativa liberação sexual feminina, o aumento do consumo de drogas e conseqüentemente do tráfico e do crime organizado, a tomada de consciência - mesmo que insuficiente - em torno do meio-ambiente, a eterna pretensão de melhorar as condições do ensino público, a intolerância político-religiosa simbolizada entre o governo Bush e o exército de Bin Laden e a resposta das urnas brasileiras em relação ao futuro do País. A crença histórica de que o povo brasileiro bambearia no segundo turno não se confirmou. Dessa vez a esperança venceu o medo, definitivamente. O povo brasileiro, finalmente, quebrou com o rito das oligarquias e fez história elegendo o ex-torneiro mecânico, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da Republica. O dia 27 de outubro de 2002, data do aniversário de Lula, será lembrado como o dia da virada, o dia em que o presidente mais votado do mundo foi aclamado pelos brasileiros como sinônimo de esperança, não mais de poder. Agora é Lula! Representante direto do povo, intelectual da vida, não mais de Sourbone. (Daniel Tiepo Fonseca - professor de História e Filosofia, graduando na Universidade do Coração, RG 28.892.712-6)
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