Uma equipe da Organização Não Governamental (ONG) Naturae Vitae, de Bauru, esteve ontem à tarde no Circo Estoril para fiscalizar as condições físicas, de alimentação, de segurança e de higiene a que estão submetidos os animais.
O resultado da vistoria fará parte de um relatório que deve ser compartilhado com outras ONGs. O objetivo principal, segundo a equipe, é colher dados que reforcem a campanha contra o uso de animais selvagens em espetáculos circenses.
“Não somos contra o circo. Só achamos que não tem mais cabimento eles continuarem usando animais selvagens durante os espetáculosâ€, argumentou Taís Garms, presidente da ONG.
Embora sejam radicalmente contra a presença de animais dentro do circo, os fiscais são unânimes em reconhecer que a Prefeitura de Bauru errou ao não alertar os proprietários do circo sobre a lei municipal que trata do assunto.
Desde a estréia, feita anteontem, o circo vem se apresentando sem os animais. A lei municipal 4.836, de 22 de maio de 2002, de autoria do vereador José Eduardo Fernandes Ávila (PPB), impede a concessão de alvará de funcionamento a circos e similares que usam animais selvagens em suas apresentações.
O gerente do circo, João Ramão da Silva, está inconformado com a situação. Ele garante que só foi avisado pela prefeitura 48 horas antes da estréia.
Segundo ele, o prejuízo com a proibição pode chegar a R$ 100 mil. Silva ameaça acionar judicialmente a prefeitura. Como não foi avisado da proibição, ele acredita que até o encerramento da temporada em Bauru, marcado para o dia 16, os animais serão incluídos nas apresentações.
Na opinião de Luiz Antônio Portugal, relações públicas do Circo Estoril, os animais que estão com eles “são muito bem tratadosâ€.
“Eu concordo com uma fiscalização rígida. Infelizmente, existem circos que maltratam os animais. Mas não é justo nós pagarmos por issoâ€, protestou.
Segundo ele, Bauru foi a única cidade, até agora, a proibir o uso de animais durante as apresentações.
“Na nossa opinião, a prefeitura agiu errado ao não alertar sobre a proibição com antecedência. Se isso tivesse sido feito, talvez eles teriam ido para uma outra cidadeâ€, opinou José Hermann, um dos fiscais da ONG.
Segundo ele, embora não tivesse, até ontem, uma opinião formada sobre as condições oferecidas ao animais do Circo Estoril, a regra, em geral, é de maus-tratos e tortura. Esta última, para condicionar os animais a obedecer as ordens dos domadores durante o espetáculo.