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Seesp quer desafogar vias da Capital

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O Sindicato dos Engenheiros Profissionais no Estado de São Paulo (Seesp) iniciou estudos, em conjunto com a Companhia de Engenharia de Tráfego do Município de São Paulo (CET) e outros órgãos do setor, que visam diminuir o trânsito de cerca de 200 mil caminhões que rodam diariamente pelas marginais, vias expressas e avenidas do perímetro urbano da Capital paulista.

A informação é do engenheiro Marcos Wanderley Ferreira, diretor da Regional Bauru do Seesp, e membro do grupo de estudos. Segundo ele, o projeto quer aproveitar o leque da malha ferroviária que corta a cidade de São Paulo para movimentar os milhões de toneladas de cargas que diariamente chegam ao parque industrial e distribuidor instalados na Capital.

A primeira reunião do grupo foi realizada na semana passada. A próxima já está agendada para quarta-feira. Além do Seesp e da CET, também colaboram com o projeto técnicos da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), da Companhia do Metropolitano de São Paulo e Escritório Regional de Planejamento (Erplan), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Planejamento.

Dados pesquisados pelo diretor do Seesp mostram que cerca de 550 mil veículos transitam diariamente dentro da Capital paulista. Desse total, 200 mil são caminhões, dos quais 85 mil circulam pelo Centro de São Paulo e outros 15 mil cortam a cidade em busca de outras rodovias.

O engenheiro relata que as mercadorias rodam uma média de 100 quilômetros pelas marginais, vias expressas e avenidas da Capital antes de chegarem a seus destinos finais. “Essa movimentação ocorre entre 10h e 17h, provocando muitos congestionamentos e emperrando o trânsito de veículos leves, como passageiros e ônibus. Isso acaba refletindo no preço das mercadorias”, avalia.

Ferreira diz que é preciso levar em conta que 25% dos produtos in natura produzidos no País são comercializados ou transformados em São Paulo. “Por isso, a grande movimentação de caminhões na Capital.”

Trilhos urbanos

O diretor do Seesp afirma que o estudo em questão vai apontar a viabilidade de se utilizar a boa malha ferroviária que penetra por vários bairros de São Paulo para amenizar o tráfego pesado de caminhões.

Ele explica que a intenção básica do projeto é construir terminais rodoferroviários próximo à entrada das principais rodovias que chegam a Capital.

“A região do Rodoanel talvez seja a mais apropriada. Os caminhões chegam até esses terminais e os containers são acoplados nos vagões, que vão seguir seus destinos até o Centro da cidade ou zonas industriais. Com isso, evita-se que os caminhões entrem na Capital”, diz.

O engenheiro lembra que os trilhos da antiga RFFSA, da Ferrovia Bandeirantes (Ferroban) e da MRS Logística servem locais como entrepostos (dentre os quais a antiga Ceagesp), mercado municipal, região do Brás (Centro), dentre outros.

“Em cada local desse a idéia é ter um sistema de recebimento de mercadorias, permitindo que as encomendas cheguem até o seu destino final sem o tráfego pesado dos caminhões”, expõe.

Ferreira lembra, ainda, que a maioria das indústrias e empresas trabalha, hoje, com estoque mínimo, o que significa que, para atender o mercado de um modo geral, a quantidade de viagens para transporte de mercadorias aumentou.

“São Paulo produz, atualmente, cerca de 300 mil metros cúbicos de concreto por mês para atender a construção civil. Isso significa, aproximadamente, 60 mil caminhões por mês trafegando dentro de São Paulo com matéria-prima desse produto. A ferrovia tem estrutura para atender a essa demanda”, garante.

Para o diretor do Seesp, é inevitável a integração da ferrovia com a rodovia visando a diminuição do tráfego pesado dentro de São Paulo. “Se isso não ocorrer de maneira ágil e eficiente, dentro de quatro ou cinco anos o trânsito na Capital pára. E nós não queremos isso”, finaliza.

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