Novos preços
Oficialmente, desde ontem os preços do óleo diesel e do gás liqüefeito de petróleo (GLP) - gás de cozinha - estão mais caros. A Petrobras anunciou na última sexta- feira o ajuste de preços nas refinarias, com elevação de 9,5% nos preços desses produtos. A gasolina, por sua vez, deve ter queda de 1,6%, também segundo a estatal. Contudo, essa redução não deve ser percebida no bolso do consumidor.
Mercado
Mais uma vez, a Petrobras alegou que os reajustes ocorreram em função das variações dos preços no mercado internacional, da taxa de câmbio e outros fatores concorrenciais. Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trata-se de mais um fator de pressão sobre a inflação, mas não significa “necessariamente†que vá resultar na aceleração ou no recuo da taxa. Para o consumidor, como sempre ocorre nessa área, a notícia não é boa.
Reflexos
Analistas do IBGE acreditam que, apesar de a gasolina e o gás de botijão terem forte peso sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor amplo (IPCA), vai ter reflexos somente no mês de dezembro. Além disso, a queda do preço da gasolina não deverá trazer grande alívio para a inflação, já que poderá ser contrabalançada pelo aumento que havia sido anunciado no início do mês.
Impacto
Cálculos da Petrobras mostram que o impacto dos reajustes do GLP ao consumidor para o botijão de 13 kg e do óleo diesel não deve exceder 5,6% e 7,8%, respectivamente. Segundo o IBGE, cada 1% de queda da gasolina produzirá um alívio de 0,0409 ponto percentual no índice de inflação. Para o gás, cada 1% cento de aumento terá impacto de 0,0156 ponto percentual. Os preços do GLP para uso industrial e comercial serão elevados em 5,7% nas refinarias a partir do início deste mês.
Recuperação
Apesar das turbulências na economia e do cenário de crise, a indústria nacional já começa a apresentar sinais de recuperação. No terceiro trimestre deste ano, quando comparado ao segundo, a indústria foi o setor que mais cresceu, registrando taxa de 1,3%. O setor de agropecuária cresceu 0,75% e, o de serviços, 0,71%. A indústria de transformação apresentou melhora, e a construção civil, que vinha registrando queda acentuada,caiu menos no terceiro trimestre.
Crescimento
Reunidos, esses fatores promoveram um pequeno crescimento na economia. Para alguns economistas, o importante desse movimento é mostrar um pouco de fôlego em meio a um cenário adverso, mas ainda é preciso cautela. Por outro lado, alguns avaliam que esse fôlego pode ser curto, em função da alta recente dos juros - a taxa Selic passou de 21% ao ano para 22%.
Boa notícia
Outra boa notícia no setor é que a atividade industrial no estado de São Paulo, especificamente, subiu em outubro, preparando-se para o Natal. O indicador do nível de atividade da indústria de São Paulo (INA) subiu 1,8% em outubro em relação a setembro, excluindo os efeitos sazonais, segundo informou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na última quinta-feira.
Exportações
Para a diretora titular de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Clarice Messer, a indústria está vivendo um momento de alívio que, como a própria palavra introduz, é temporário. Um fator que estaria colaborando para a performance positiva da indústria, e que não deverá ser temporário, é o crescimento das exportações. Os indicadores mostram um comportamento crescente nessa área, segundo Clarice. Mas para ser mantido, exigirá investimentos.