Política

Joel assume duplicidade de assinaturas

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O ex-diretor administrativo da Câmara Municipal, Luiz Renato Joel, assumiu ontem que é sua a assinatura que atesta o recebimento de dois cheques para pagamento de serviços e aquisições feitas pela Casa.

Na última sexta-feira, o vereador José Clemente Rezende (PSB) levantou os processos e chamou a atenção do presidente da Comissão Especial (CEI) das compras, Luiz Carlos Valle (PSB), para as semelhanças das assinaturas.

A assinatura de Joel consta no canhoto de requisição para a compra ou serviço, autorizando a sua execução. Também está firmada no lugar reservado à confirmação do recebimento dos cheques pelas empresas fornecedoras e prestadoras de serviços da Câmara.

O ex-diretor não só reconhece a duplicidade das assinaturas como afirma que esse comportamento “é corriqueiro” na Câmara Municipal.

“Confirmo as minhas assinaturas. E com certeza vão encontrar mais processos nessa situação”, adianta. Segundo ele, muitos fornecedores entram em contato com o Legislativo pedindo que os cheques sejam encaminhados.

“Isso não ocorre só comigo. Os motoristas também pegam cheques endereçados a postos de combustíveis, consertos de veículos. Os mirins pegam para levar no Cips. Muitos funcionários amigos de pessoas conhecidas e que prestam serviço à Câmara também fazem isso. Isso é um fato rotineiro na Câmara”, conta.

â€œÉ falho”

O ex-diretor administrativo do Legislativo reconhece que o comportamento é um “ato falho”. “Mas isso é feito e não é de hoje. Se for verificar, acho que é desde 1986. Não há no manual de procedimento que isso não pudesse ser feito”, explica.

Ele conta que quando assumiu a Diretoria Administrativa da Casa, em 1999, o ato de assinar o recebimento de cheques nominais à empresas era corriqueiro. “Com certeza, vão achar assinatura de 1999, 1998, inclusive de outros servidores.”

Joel afirma que quando assina o recibo para liberar os cheques ou entrega pessoalmente ao prestador de serviço ou pede para alguém entregá-lo ao favorecido.

“A minha conta-corrente está aberta para qualquer fiscalização. Eu acho que eles (CEI das compras) têm de ver aonde caíram esses cheques. A maioria das empresas vai provar que os cheques caíram nas próprias contas ou passaram para alguém. Na minha conta eu garanto que não está”, diz.

Microfilme

A comissão de investigação recebeu ontem do Banco do Brasil o microfilme do cheque no valor de R$ 3.330,00 pago à Delta Informática pela aquisição do software atualizado Autocad.

Segundo o presidente da CEI, o cheque não foi depositado em Lençóis Paulista, município no qual está estabelecida a empresa.

A agência do Banco do Brasil (BB) localizada na quadra 18 da avenida Rodrigues Alves (em frente ao Cemitério da Saudade) foi a responsável pelo depósito do cheque.

Valle já oficiou à gerência do BB solicitando em qual conta-corrente o cheque foi depositado.

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