Economia & Negócios

Economia & Negócios

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

• Estratégias

Em tempos de turbulência na economia e de alta generalizada de preços, algumas orientações de especialistas - que à primeira vista podem até parecer óbvias - podem ser a luz no fim do túnel para muitos empresários. Entre elas estão criar um canal de diálogo com os fornecedores, buscar parcerias com outros comerciantes do setor e continuar viabilizando preços mais acessíveis para o consumidor. Em muitos casos, “ajustar” pode ser bem melhor do que reajustar.

• Varejo

Trata-se de enfrentar uma realidade diferente. Ou seja, como a redução da margem de lucro se tornou praticamente inevitável, o varejista precisa criar fórmulas para aumentar o giro de seus produtos. Esses especialistas acreditam que, apesar da alta generalizada de custos, o momento deve ser aproveitado pelos comerciantes para a construção de relações mais humanas com os fornecedores.

• Pressão

Para quem vende a pressão é maior, mas a situação é difícil para todos. Somente o diálogo levará a soluções viáveis, segundo especialistas. Um bom exemplo é o do empresário Ricardo Martins, diretor da Prospect Promoções. Ele apostou no diálogo com fornecedores e conseguiu criar uma estratégia de bonificação que vem garantindo a manutenção dos preços para a sua clientela.

• Saídas

A empresa está concedendo bônus de até 20% para bares e restaurantes. O desconto permite que continuem comprando pelos valores antigos. Isso elimina a necessidade de alterar o preço da dose em seus cardápios. Graças à medida, a Prospect vem conseguindo contornar o impasse de comercializar um produto importado sem poder seguir a velocidade da desvalorização cambial. Neste caso, além da empresa não sofrer queda nas vendas, ainda conquistou novos clientes.

• Os dois lados

Outros empresários dizem que a construção de uma solução satisfatória para ambos os lados é essencial para que o pequeno varejista não se torne menos competitivo. Também seria o caminho para continuar tendo giro de produtos. Muitos, ainda, acreditam que a alta de preços é temporária. Para reverter a onda de inflação, uma das orientações de especialistas prega que o comerciante deve observar se está conseguindo esvaziar as prateleiras e fazer novas compras.

• Ganhar menos

O varejo vive tempos de ganhar menos. De um lado estão os fornecedores cobrando mais caro. De outro, consumidores sem reajuste salarial. E no meio, comerciantes se equilibrando para segurar preços e não espantar a clientela. Isso tem sido rotina em diversos setores do mercado. Com a ameaça da inflação e a queda do poder aquisitivo do consumidor, empresários se desdobram para não repassar os aumentos que a maioria das mercadorias está sofrendo.

• Disparidade

Para se ter uma idéia da disparidade entre os preços adotados pelo atacado e pelo varejo, basta comparar a oscilação durante o ano do IGP-DI (Índice Geral de Preços), que mede a inflação ao consumidor final, em relação à do IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado). O primeiro tem registrado números superiores ao segundo, comprovando que o varejista tem sido forçado a absorver aumentos e atenuá-los para não ver os preços explodirem.

• Luta

Nesse quadro, os pequenos precisam empreender uma árdua luta para frear os aumentos, já que o poder de barganha deles é bem menor que o das grandes redes. Muitos têm criado associações para garimpar ofertas. Mas o momento pede cautela com o manejo das contas. A atenção para esse ponto deve ser redobrada, assim como deve ser verificada a possibilidade de reduzir margens de lucro e evitar a descapitalização com a aquisição de estoques, ensinam especialistas.

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