É consenso a idéia de que, no Brasil os partidos políticos, infelizmente, não representam, como deveria ser, idéias aglutinadas em torno de um mesmo objetivo. Creio que isso, por comodismo geral, já está se tornando institucionalizado.
Se existe algum partido que foge a essa tendência, este partido é o PT. Os restantes, em sua maioria, são siglas que servem de trampolim para pseudopolíticos mergulharem e caírem em algum cargo eletivo. Já faz algum tempo que gostaria de comentar esse hábito – uma coisa do “jeitinho†do brasileiro, mas não encontrava dados tão claros sobre isso. Não estou há muito pouco tempo em Bauru. Mas, ao ver o nome de fulano estampado em muros de Bauru, não tive alternativa. Não dava para não escrever.
Fulano, nas eleições de 1998, deveria estar, por exemplo, no PSDB, partido fundado por um ala de peemedebistas para fugirem de uma certa banda podre do partido. Claro que o político fulano também deveria fugir da escória, se soubesse que iria ser eleito ao estar com os fundadores do PSDB, como Montoro, Serra, Fernando Henrique Cardoso e outros. Este ano, por exemplo, o nome de fulano apareceu nos muros de Bauru ao lado do nome de Paulo Maluf, de (Acreditem!!) Lula e de Mercadante. E seu lema falava qualquer coisa de “é para mudar..â€
Primeiro: como mudar com Maluf? Segundo: como apoiar e ser apoiado (?) por Maluf e, ao mesmo tempo, por Lula e Mercadante? Notem bem: não se tratava de segundo turno, quando as forças políticas procuraram se aglutinar. Mesmo poque era cargo de deputado.
A um leitor mais chato, crítico, “cri-cri†mesmo, a jogada de fulano pode passar a seguinte idéia: fulano devia estar percebendo que, na época, Lula e Mercadante já estavam eleitos e estava pensando que Maluf seria eleito e aí... faz associar seu nome a esses candidatos.
Fulano foi o único nome que entrou nesta história, pois não caberiam aqui os sicranos e beltranos da vida que usam dessa esperteza para vencerem uma eleição. Por essa e outras importantes razões, torna-se urgente uma reforma política. (O autor, João Batista Neto Chamadoira, é professor do departamento de Ciências Humanas da Unesp-Bauru. E-mail: jbchama@uol.com.br)