Economia & Negócios

Falta de troco é problema em circulares

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Além das reclamações pelo aumento de 20% na tarifa, os usuários do transporte coletivo de Bauru têm tido dificuldades com o preço “quebrado” da passagem: R$ 1,20. Para quem paga a viagem com R$ 2,00, são pelo menos três moedas de troco (R$ 0,50, R$ 0,25 e R$ 0,05). O único problema é quando o cobrador não tem moedas para devolver.

De acordo com a assessoria de imprensa da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano (Transurb), as três empresas de ônibus circulares de Bauru se prepararam para o preço novo com um reforço de R$ 10,00 em moedas para cada cobrador. Segundo a assessoria, não há registros formais de reclamações sobre falta de troco nos circulares nos dois primeiros dias de tarifa nova.

Em Bauru, a frota de 230 ônibus em circulação transporta cerca de 2,9 milhões de passageiros por mês com “tarifa cheia”, número que pode chegar a 3,2 milhões se considerados estudantes (que pagam 25% a menos), idosos e deficientes. Desse total, 48% pagam a passagem com dinheiro, o que pode dar uma idéia dos problemas com troco.

De acordo com o cobrador Benito Celso Diniz, que trabalha na linha Centro-Mary Dota, a falta de moedas é um problema não somente dos ônibus, mas os passageiros têm colaborado, pelo menos nos primeiros dias. “Acho que esse é um problema de todo o comércio, mas se não circular a moeda, se deixar em casa, vai faltar mesmo”, diz.

O cobrador afirma que os R$ 10,00 “trocados” que a empresa forneceu estão sendo suficientes para o início, mas agora é necessário atenção para manter o estoque de moedinhas. “O pessoal tem trazido (moedas), estão colaborando. E o que sobra a gente vai guardando”, conta Diniz.

Dentro do ônibus, o funileiro Hélio Souza Alves, 26 anos, afirma que não se preocupa em trazer os centavos trocados para facilitar o troco. “Eu sempre pago com o dinheiro do dia-a-dia”, diz. E completa: “O duro são as moedas que a gente perde no bolso.”

A estudante Débora Marcela de Oliveira, 22 anos, que não utiliza ônibus diariamente, afirma que nem havia lembrado que o passe sofreu reajuste. Ela, no entanto, completou a tarifa com R$ 0,20 que tinha no bolso. “Trouxe dinheiro trocado, mas foi por acaso”, diz.

A dona de casa Míriam Souza, 36 anos, declara que está tentando colaborar com o troco no ônibus levando centavos trocados. “Tem que trazer as moedinhas mesmo, porque ajuda o cobrador e não atrapalha a passagem dos outros”, diz. E conclui: “O cobrador não tem culpa da tarifa ter um valor absurdo desse. Além de ter subido, ainda tem que usar moeda.”

Banco

Como não há unidade do Banco Central em Bauru, o Banco do Brasil (BB) é o responsável pela distribuição dos lotes de moedas novas à rede bancária e, por conseqüência, à população da cidade. De acordo com o superintendente do BB em Bauru, Marcelino Canelada Campos, a falta de moedas é normal no final do ano, quando há maior circulação de dinheiro.

“Nós recebemos um volume de moedas normal. Em setembro tivemos um reforço muito grande, mas agora está faltando”, declara Campos. Segundo ele, a troca de pequenos valores em dinheiro por moedas é normal nos caixas do banco.

Campos ressalta que a população deve fazer as moedas circularem, principalmente nos estabelecimentos comerciais de pequeno porte, os maiores prejudicados. “O fluxo de recebimento e entrega para a rede bancária tem sido normal, mas o problema é que as moedas desaparecem mesmo. É um problema de circulação”, afirma o superintendente.

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Abastecimento

Pela segunda vez, a rede de supermercados Confiança está se mobilizando com o objetivo de arrecadar moedas para abastecer seus caixas. Desde a semana passada, a rede está oferecendo quatro pães ao cliente que lhe trocar R$ 5,00 em moedas de R$ 0,01, R$ 0,05, R$ 0,10 e R$ 0,25. “Moeda é um negócio que está difícil”, diz o gerente Sebastião da Silva.

Segundo ele, o problema principal são as moedas de menor valor, de R$ 0,01 a R$ 0,10, que “sumiram” dos caixas. Na atual campanha, Silva explica que o alvo não é o pequeno consumidor, mas sim as entidades e igrejas. “Acho que nem é caso do pessoal estar guardando em casa. É falta mesmo”, declara o gerente.

Silva revela que, por dia, a campanha da rede está conseguindo trocar mais de R$ 100,00 em moedas. “Começamos faz uma semana, mas já deu uma boa amenizada”, declara.

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