Além das reclamações pelo aumento de 20% na tarifa, os usuários do transporte coletivo de Bauru têm tido dificuldades com o preço “quebrado†da passagem: R$ 1,20. Para quem paga a viagem com R$ 2,00, são pelo menos três moedas de troco (R$ 0,50, R$ 0,25 e R$ 0,05). O único problema é quando o cobrador não tem moedas para devolver.
De acordo com a assessoria de imprensa da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano (Transurb), as três empresas de ônibus circulares de Bauru se prepararam para o preço novo com um reforço de R$ 10,00 em moedas para cada cobrador. Segundo a assessoria, não há registros formais de reclamações sobre falta de troco nos circulares nos dois primeiros dias de tarifa nova.
Em Bauru, a frota de 230 ônibus em circulação transporta cerca de 2,9 milhões de passageiros por mês com “tarifa cheiaâ€, número que pode chegar a 3,2 milhões se considerados estudantes (que pagam 25% a menos), idosos e deficientes. Desse total, 48% pagam a passagem com dinheiro, o que pode dar uma idéia dos problemas com troco.
De acordo com o cobrador Benito Celso Diniz, que trabalha na linha Centro-Mary Dota, a falta de moedas é um problema não somente dos ônibus, mas os passageiros têm colaborado, pelo menos nos primeiros dias. “Acho que esse é um problema de todo o comércio, mas se não circular a moeda, se deixar em casa, vai faltar mesmoâ€, diz.
O cobrador afirma que os R$ 10,00 “trocados†que a empresa forneceu estão sendo suficientes para o início, mas agora é necessário atenção para manter o estoque de moedinhas. “O pessoal tem trazido (moedas), estão colaborando. E o que sobra a gente vai guardandoâ€, conta Diniz.
Dentro do ônibus, o funileiro Hélio Souza Alves, 26 anos, afirma que não se preocupa em trazer os centavos trocados para facilitar o troco. “Eu sempre pago com o dinheiro do dia-a-diaâ€, diz. E completa: “O duro são as moedas que a gente perde no bolso.â€
A estudante Débora Marcela de Oliveira, 22 anos, que não utiliza ônibus diariamente, afirma que nem havia lembrado que o passe sofreu reajuste. Ela, no entanto, completou a tarifa com R$ 0,20 que tinha no bolso. “Trouxe dinheiro trocado, mas foi por acasoâ€, diz.
A dona de casa Míriam Souza, 36 anos, declara que está tentando colaborar com o troco no ônibus levando centavos trocados. “Tem que trazer as moedinhas mesmo, porque ajuda o cobrador e não atrapalha a passagem dos outrosâ€, diz. E conclui: “O cobrador não tem culpa da tarifa ter um valor absurdo desse. Além de ter subido, ainda tem que usar moeda.â€
Banco
Como não há unidade do Banco Central em Bauru, o Banco do Brasil (BB) é o responsável pela distribuição dos lotes de moedas novas à rede bancária e, por conseqüência, à população da cidade. De acordo com o superintendente do BB em Bauru, Marcelino Canelada Campos, a falta de moedas é normal no final do ano, quando há maior circulação de dinheiro.
“Nós recebemos um volume de moedas normal. Em setembro tivemos um reforço muito grande, mas agora está faltandoâ€, declara Campos. Segundo ele, a troca de pequenos valores em dinheiro por moedas é normal nos caixas do banco.
Campos ressalta que a população deve fazer as moedas circularem, principalmente nos estabelecimentos comerciais de pequeno porte, os maiores prejudicados. “O fluxo de recebimento e entrega para a rede bancária tem sido normal, mas o problema é que as moedas desaparecem mesmo. É um problema de circulaçãoâ€, afirma o superintendente.
____________________
Abastecimento
Pela segunda vez, a rede de supermercados Confiança está se mobilizando com o objetivo de arrecadar moedas para abastecer seus caixas. Desde a semana passada, a rede está oferecendo quatro pães ao cliente que lhe trocar R$ 5,00 em moedas de R$ 0,01, R$ 0,05, R$ 0,10 e R$ 0,25. “Moeda é um negócio que está difícilâ€, diz o gerente Sebastião da Silva.
Segundo ele, o problema principal são as moedas de menor valor, de R$ 0,01 a R$ 0,10, que “sumiram†dos caixas. Na atual campanha, Silva explica que o alvo não é o pequeno consumidor, mas sim as entidades e igrejas. “Acho que nem é caso do pessoal estar guardando em casa. É falta mesmoâ€, declara o gerente.
Silva revela que, por dia, a campanha da rede está conseguindo trocar mais de R$ 100,00 em moedas. “Começamos faz uma semana, mas já deu uma boa amenizadaâ€, declara.