Economia & Negócios

Após aumento, preço do gás chega a R$ 32,00 em Bauru

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Após o último aumento de 9,5% no preço do gás de cozinha anunciado pela Petrobras na sexta-feira passada - que entrou em vigor no domingo -, em Bauru os novos valores encontrados em diversas revendas estão na média de R$ 32,00. Para entregar, já chega a R$ 32,50. Alguns comerciantes ainda mantêm os preços antigos, em função do estoque. O aumento na cidade girou em torno de 8,47% a 10,71%.

A Petrobras chegou a estimar que o aumento do gás liqüefeito de petróleo (GLP) - conhecido como gás de cozinha - ao consumidor final residencial ficaria na margem de 5,6% para o botijão de 13 quilos. Os revendedores reclamam que, a cada aumento autorizado pela estatal, a margem de lucro deles em pontos percentuais diminui.

Ao contrário do que se pensava, no final de semana passado e na segunda-feira não houve correria de consumidores aos pontos de venda de gás para aproveitar o preço antigo.

“Esse reajuste foi anunciado muito em cima da hora e num final de mês. As pessoas não tinham dinheiro para comprar gás sem real necessidade”, observa o empresário do setor, José Carlos Marques.

Repasses

Um revendedor Ultragás, que pediu para não ter seu nome revelado, diz que mudou os preços nesta terça-feira, para R$ 32,00. O aumento, neste caso, foi de 8,47%. “Até segunda-feira estávamos vendendo o botijão a R$ 29,50, porque tínhamos estoque. Mas antes ainda, fizemos uma promoção durante dez dias e vendemos a R$ 26,50. Depois, o repasse foi inevitável”, diz o comerciante.

Na distribuidora Liquigás, onde também é comercializado botijão de gás diretamente ao consumidor na portaria, o preço passou de R$ 26,00 para R$ 28,47. O aumento é de exatamente 9,5%. O repasse está sendo o mesmo para os revendedores.

Na Copagás, o gerente Sérgio Rossi informa que o preço subiu de R$ 28,00 para R$ 31,00 (alta de 10,71%). “Nas revendas Copagás, a média do preço praticado ao consumidor é de R$ 30,80”, afirma.

Em outra revenda da cidade, o proprietário José Carlos Marques diz que ainda está comercializando o botijão de 13 quilos no preço antigo, de R$ 29,90, porque ainda não fez compra após o reajuste. Ele acredita que esse valor será mantido até amanhã.

“Desleal”

Quando os botijões da nova remessa forem colocados à venda, Marques já sabe que passará a cobrar R$ 31,90 do consumidor (o aumento será de 6,68%). Ele reclama da concorrência desleal com os clandestinos e de que a margem de lucro no setor foi muito reduzida ao longo dos últimos três anos.

“Em média, o aumento de preços das distribuidoras para nós, revendedores, está girando em torno de R$ 2,50. O grande problema é que a nossa margem tem ficado a mesma em dinheiro, mas em porcentagem vem diminuindo muito, porque nem todas as altas a gente repassa integralmente ao consumidor”, diz Marques.

De acordo com o comerciante, em dinheiro ele tem hoje a mesma margem de lucro de três anos antes, na casa de R$ 5,00 a R$ 6,00. “Naquela época, a nossa margem de lucro era em torno de 50%. Depois, começou a vir um aumento atrás do outro e a situação foi ficando mais difícil. Se for calcular em porcentagem o que a gente ganhava naquela época, hoje teríamos que vender o botijão a R$ 38,00”, observa.

____________________

Aumentos

O último aumento oficial do gás liqüefeito de petróleo (GLP) foi de 22%, efetuado no dia 5 de novembro. De uma média de R$ 24,00 que vigorava para o botijão de 13 quilos na cidade, o preço subiu para o patamar de R$ 29,00 (média). Nesta semana, o novo reajuste da Petrobras, de 9,5%, elevou os preços ao consumidor final para até R$ 32,00 na venda direta em portaria.

Por volta do dia 22 de agosto, os preços haviam sido reduzidos em cerca de 8% em Bauru, após uma orientação de diminuição das margens feita pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). Segundo a ANP, a Petrobras deveria ter reduzido em 12,4% o preço do produto nas refinarias, mas a queda não chegou a esse patamar.

Neste ano, a alta acumulada do botijão de 13 quilos de GLP é de 75%. Foram cinco aumentos até agora: 23% em janeiro, 14,5% em abril, 9,2% em junho, 6,2% em julho e 22% em novembro.

Em janeiro deste ano, o valor do botijão nas revendedoras da cidade variava, na média, de R$ 22,00 a R$ 25,00. O presidente da Petrobras, Francisco Gros, já disse que acredita ser inevitável uma intervenção do governo federal no setor.

O óleo diesel, que também teve aumento no último domingo, no momento tem preços em Bauru variando de R$ 1,43 a R$ 1,45 o litro. Antes, o valor girava em torno de R$ 1,26 a R$ 1,29 (alta de aproximadamente 13%, na média).

Comentários

Comentários