A exorbitante quantidade de assassinatos e outras rebeldias contra a vida humana que está acontecendo e da qual não fazem segredo algum os meios de comunicação social, que para a divulgação das tragédias destina diariamente os maiores espaços, impõe uma séria indagação: que sentido tem a vida para o homem deste incompreensível século? É imprescindível que se a faça, sem delongas, enquanto haja tempo para tanto. E a inquirição se refere não somente ao homem normal, aquele de existênca honesta e calma, sem propensão para qualquer tipo de rebeldia ou ódio a terceiros, muito menos para aqueles que nada devem a ninguém. Destina-se, principalmente, ao homem violento pela própria natureza, aquele de má índole, muita deseducação e, conseqüentemente, indiferente ao que de bom e de bem lhe competiria realizar, honestamente, no decurso de sua existência. Por que nem todos pautam pelos caminhos do amor fraterno, esquecem as amizades, as lembranças e as saudades e se encaminham para o total desinteresse pela existência própria e dos outros? É de se lembrar, por exemplo, do quanto arriscou desafiantemente o agressor do Papa João Paulo II, naquela pesarosa década de 1980, ao afirmar: “Fiz isso porque não me interessa a vida!â€, como que tentando justificar o seu crime. Como assim? Não teria mesmo ele razão para preservar a existência do velho prelado e da sua também? Os demais trânsfugas de hoje, das ruas e favelas, também não teriam motivos para continuar o seu viver ao lado dos milhares de outros que os têm, conscientes de que a peleja da vida possui regras idênticas para todos, sendo preciso, então, que uns e outros acreditem e respeitem a si mesmos? De outra forma seria imperioso corrigir-se o mundo de suas fantasias porque, como disse o filósofo alemão Marcuso, “o homem moderno, contemporâneo, perdeu o espaço interiorâ€. Há que a humanidade pensar nisso, como afirmou o cineasta italiano Fellini: “Acho que durante toda a vida o homem deve aprender a ser homem†e não se anestesiar através do poder, do ter, do status, do sexo, do luxo, da ganância e do consumismo, ou seja, destituído da índole revolucionária que ocasiona os assassinatos e os furtos, em virtude dos quais as sociedades se tornam grupos antagônicos e de batalhas cruéis. É a nossa opinião. (O autor, Nadyr Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)
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