Tribuna do Leitor

Nós e os impostos, os salários, o sistema...


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Em resposta à carta de um cidadão que criticou nesta Tribuna a prática dos coletores de lixo de entregarem envelopes nas residências com pedidos de Páscoa e Natal, tenho a dizer que só se for na casa dele que outros profissionais não fazem a mesma coisa, pois na minha são os entregadores de jornais, os carteiros, os guardas-noturnos, os entregadores de gás, etc... Todos fazem seus pedidos de Páscoa e Natal deixando um envelope. Isso sem contar que durante o ano inteiro, todos os dias, pessoas batem à nossa porta pedindo ajuda, passes de ônibus, roupas, comida, remédios entre outras coisas. Cada vez com mais freqüência.

Acontece que a situação está piorando para quase todo mundo, principalmente para os mais pobres. O salário está baixíssimo e congelado, faltam empregos, a inflação está rasgada, a saúde e a educação estão mergulhadas no caos, a miséria vem aumentando assustadoramente. Será que tem gente que não percebeu isso? Quanto será que esses trabalhadores braçais, que enfrentam sol, chuva, frio, calor, ganham? Duzentos, trezentos reais? Podemos dizer que esses salários “pagos em dia” (obrigação de qualquer patrão) são salários dignos?

Sabemos que muitos trabalhadores acabam buscando um trabalho informal, além do oficial, em outro horário ou então nas férias, os chamados “bicos”, para melhorar o orçamento. Também lançam mão de pedidos nestas datas festivas como Páscoa e Natal. Não estão roubando, nem trapaceando, como muita “gente boa” faz. Claro que os salários deveriam ser melhores para que esses profissionais não necessitassem pedir auxílio, porém a realidade é outra, é terrivelmente perversa. E você, cidadão, não é obrigado a contribuir. Você dá a ajuda que quiser e se quiser, democraticamente.

Pagamos sim os nossos impostos e merecíamos ter um tratamento melhor das autoridades, mas o sistema... Não podemos ainda esquecer que esses profissionais também pagam os mesmos impostos e são cidadãos como todos nós, recebendo péssimos salários e péssimos serviços de atendimento médico, asfalto, saneamento básico, etc., etc., etc... Entendo que deveríamos questionar a Emdurb sim, mas sobre outras coisas mais importantes para a cidade e seus cidadãos. (Osnilda Ferreira de Sousa - RG: 15.506.025)

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