Política

Vereadores pedem Processante à CEI

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Os vereadores José Humberto Santana (PV), José Clemente Rezende (PSB) e Milton Dota Jr. (PTB) protocolaram ontem na Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras pedido de instalação de Comissão Processante (CP) para apurar infrações político-administrativas e improbidade administrativa praticadas por agentes políticos e servidores da Câmara Municipal.

Embora o documento não aponte de maneira específica os possíveis vereadores que poderão ser enquadrados numa CP, os nomes do presidente do Poder Legislativo, Walter Costa (PPS), e de seu vice, Roberto Bueno (PTB), são citados.

O texto relata que há vinculação de Bueno com os destinos administrativos da Câmara. Para os três vereadores autores do pedido, a atuação do vice-presidente “descontrolou administrativamente” o Legislativo para atingir “objetivos não especificados”.

O documento cita reportagem do Jornal da Cidade publicada no dia 9 de janeiro de 2001, no qual o petebista informou sobre alterações no setor administrativo da Câmara que resultariam “na sobra de seis ou sete funcionários”. Eles seriam aproveitados para assessorar as bancadas dos partidos representados na casa, mas a proposta não vingou.

Segundo os três parlamentares, o “primeiro passo” de Bueno na reformulação administrativa do Legislativo ocorreu em fevereiro de 2001 ao “desmontar” a Diretoria Financeira, “de forma que seus controles e registros ficassem precários e sem fiscalização.

“O segundo passo foi fortalecer a atuação do diretor administrativo para executar todas tarefas e atividades de interesse do vice-presidente”, afirma o texto.

Descumprimento

Santana, Clemente e Dota Jr. alegam que as alterações promovidas por Bueno descumprem a resolução 334, de 26 de fevereiro de 1997 - em pleno vigor -, que reordenou a estrutura organizacional da Câmara, criou e extinguiu cargos e autorizou outras providências.

Os parlamentares afirmam que as reformas promovidas pelo vice-presidente foram informais e “somente de fato e nunca de direito”.

“Sem controles, somente poderia resultar no que hoje está sendo revelado no dia-a-dia da mídia: a Câmara não tem organização, controles, etc., etc., quando, na verdade, eles existem, mas, ou foram desmontados ou foram postergados”, explicam.

O documento aponta que as funções dos servidores da Diretoria Financeira estavam “distribuídas e definidas” de maneira a evitar qualquer operação irregular.

Os parlamentares também avaliam que as mudanças desfiguraram a atuação da Diretoria Administrativa. “O vice-presidente Roberto Bueno Martins, sempre informalmente, primeiro concentrou todas as compras e serviços nas mãos do diretor, servidor Luiz Renato Joel.”

Eles argumentam que em a resolução não estabelece que é função do diretor administrativo fazer compras ou contratar serviços, “tarefa que ele assumiu de fato, exorbitando e contrariando a legislação”.

“Portanto, com toda certeza, exorbitou o diretor administrativo das suas funções, pois exerceu arbitrariamente, sem nenhuma contestação superior, tarefas que não lhe eram permitidas, o que por certo fazia porque era autorizado pelo vice-presidente Roberto Bueno Martins e também, implicitamente, pelo próprio presidente, Walter do Nascimento Costa”, relatam os vereadores.

Clemente, Santana e Dota Jr. sugerem aos membros da CEI das compras que remetam uma cópia do documento à Promotoria Pública e à Diretoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em Bauru.

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