Comerciantes do setor de alimentação estão adotando estratégias para driblar a alta dos preços dos alimentos básicos e manter a qualidade e o preço para os consumidores. Aproveitar as promoções e evitar o desperdício são opções que podem baixar o preço de custo.
Há 25 anos no setor alimentício, o comerciante Wanderley Ferreira Santos diz que a alternativa encontrada por ele foi diminuir o lucro para manter a clientela. Seu restaurante atende, principalmente, comerciários e prestadores de serviços que atuam na área central da cidade.
Santos confessa que está no limite. “As alternativas já se esgotaram. Não temos como mudar o cardápio. Precisamos ter carne, peixe e frango, além do básico todos os dias.â€
Em seu restaurante, localizado na quadra 7 da rua 1.º de Agosto, o consumidor come à vontade por apenas R$ 3,99. “Mas se sobrar comida no prato, paga R$ 5,00. Adotei esta estratégia para evitar o desperdício. A pessoa pagava R$ 3,99 e colocava comida além do que ia comer.â€
Com isso, o comerciante acredita que está economizando. “Há economia porque a comida é feita por partes. Se faltar determinado item, a cozinheira faz mais. Sem o desperdício, podemos economizar.â€
Santos observa que houve uma alta de preços na maioria dos itens que utiliza na confecção dos pratos. “Subiram os preços do óleo, arroz, feijão, carne etc. Os salários não subiram e, se eu repassar a alta, minha clientela some.â€
O comerciante acha que muitos que atuam neste setor devem fechar as portas se a elevação de preços continuar. “Se não houver mudanças para melhor, muitos vão ter que fechar. Tem comerciante deixando de recolher impostos para continuar trabalhando. As pessoas honestas estão se esforçando para não sucumbirâ€, afirma Santos.
A comerciante Arlete Rolim, que atua no setor de alimentação há oito anos, diz que tem procurado fazer compras direto com o produtor. “Especialmente as verduras. Temos ido à feira e mantido contato diretamente com o produtor para ter produtos melhores a preços menores.â€
Arlete diz que mudar o cardápio é um risco que ela não quis correr. “Temos clientes fixos. Precisamos manter o padrão. A alternativa foi diminuir o ganho. Todos os itens tiveram aumento. No início do Plano Real, eu pagava em média R$ 0,80 por uma lata de óleo. Hoje, o mesmo produto custa cerca de R$ 2,00: uma alta de 150%.â€
Carnes
As carnes também foram itens que tiveram altas exageradas, juntamente com o gás. “O preço das carnes, tanto a vermelha quanto as brancas, tiveram oscilações nos preços. O filé de frango grelhado é o nosso carro chefe e não podemos deixar faltarâ€, diz Arlete.
O preço do quilo de comida no restaurante dela também subiu, embora, segundo ela admite, ainda esteja defasado. “Há 8 anos, o preço do quilo era R$ 7,70. Hoje, é R$ 11,70: um aumento de mais de 50%, enquanto o lucro diminuiu.â€
A comerciante observa que, com a volta da inflação, houve uma mudança de comportamento dos clientes. “Meu público-alvo são os bancários e comerciários. Até pouco tempo, eles comiam aqui, por quilo. Agora eles levam marmitex porque é mais barato e a comida é a mesma.â€
A professora aposentada Irani Crivelli e suas amigas não abrem mão de comer fora de casa. Ela conta que há seis anos não cozinha em casa. “Não vale a pena. Sou sozinha e além de perder tempo cozinhando, ainda tenho que ir às compras se resolver cozinhar.â€
Mesmo com um pequeno aumento de preço, Irani ainda acha vantajoso comer fora. “O preço da comida ainda é muito baixo. Tem uma variedade enorme de pratos para a gente escolher.â€
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De perto
A alternativa encontrada pela comerciante Fátima Montovani, estabelecida na quadra 8 da avenida Getúlio Vargas, foi acompanhar de perto o trabalho de seus funcionários na cozinha. “Estou há três anos no ramo de restaurante, tenho que manter o padrão e a qualidade para cativar a clientela. Optei por participar dos trabalhos da cozinha. Senti que há uma economia na energia elétrica, na água e nos produtos básicos.â€
Ela explica que a sua presença na cozinha tem a finalidade de economizar. “Percebi que mais de um forno era ligado ao mesmo tempo, sem necessidade, que havia muito desperdício na lavagem de legumes e verduras. As sobras também passaram a ser menores depois adotei essa a estratégia.â€
A troca de fornecedor é tarefa bastante difícil para a comerciante. “Nossa preocupação é manter o padrão. Demoramos bastante para encontrar os fornecedores que mantinham a qualidade e agora não podemos abrir mão.â€
Fátima frisa que está trabalhando com o mínimo de lucro. “Não podemos mexer no cardápio. Nossos clientes estão acostumados com o esquema da casa. Sabem que tipo de comida servimos e não podemos economizar nos itens que garantem a qualidade.â€
A mudança adotada pela comerciante foi feita no preço da comida embalada para viagem. “Percebi que alguns clientes levavam só o melhor do cardápio, tipo camarão, filé mignon e badejo. Por isso, alterei o preço. Para viagem, o quilo é R$ 23,00. Para quem come no restaurante, o quilo é R$ 14,90 de segunda a sexta-feira e R$ 17,90 aos sábados e domingos.â€
Fátima diz que, em três anos de atividade, o usual era reajustar seus preços uma vez por ano. “Este ano já fiz dois reajustes. Ainda assim, acredito que comer fora é mais barato do que em casa, além de ter uma variedade muito grande no cardápio.â€