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Furos mortais

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Ter o pneu estourado com o veículo em movimento é uma experiência desagradável e, principalmente, perigosa. Pois foi justamente o que ocorreu com um motorista bauruense, que preferiu ter o nome preservado, quando viajava em uma estrada da região.

Na oportunidade, o pneu traseiro esquerdo de sua caminhonete estourou e abriu um enorme rasgo na estrutura da peça. Apesar do susto, o condutor não se feriu. “Minha sorte foi estar em uma reta. Se estivesse em uma curva e a explosão ocorrido em um dos dianteiros, certamente teria capotado e poderia até ter morrido”, considera ele.

Já refeito do incidente, o bauruense dirigiu-se a um representante da marca do pneu na cidade para solicitar a troca, aproveitando que o mesmo ainda encontrava-se no prazo legal de garantia. Entretanto, não obteve sucesso devido a um laudo pericial realizado no produto por um técnico da filial de Maringá (PR).

Além de isentar o fabricante de uma possível falha no processo produtivo ou nos componentes, a análise concluiu que o dano ao pneu - tecnicamente, uma separação entre as lonas do bloco de topo - foi provocado por uma infiltração de umidade, ocasionada por uma reparação inadequada feita anteriormente na banda de rodagem. Por essa razão, o motorista bauruense não pode usufruir dos benefícios da garantia.

Procurado pela reportagem do AutoMercado&Cia, o técnico paranaense responsável pela execução do laudo, Fabiano Antunes Guimarães confirmou as explicações fornecidas durante sua vinda a Bauru, na semana passada. “No caso do pneu apresentado, o conserto foi feito somente na parte de dentro e o furo não foi vedado. Com isso, o buraco continuou na banda de rodagem, permitindo a entrada de umidade e poeira”, diz ele.

Guimarães acrescenta que a infiltração de tais agentes externos pode ter causado a oxidação das duas camadas de cabos de aço existentes na estrutura do produto, provocando seus rompimentos e um rasgo no pneu. “Por isso a garantia acabou não cobrindo, pois não se trata de falha de processo produtivo ou de componentes”, ressalta o técnico.

Ele enfatiza, ainda, não ser possível precisar o tempo compreendido entre o conserto inadequado do pneu e seu estouro. “Depende muito das condições de uso”, justifica. Para evitar riscos, Guimarães recomenda, sempre que for possível, efetuar os reparos nas lojas autorizadas da marca, um serviço usual, segundo ele.

“Os consertos realizados em nossos estabelecimentos são feitos por plugs, que vedam possíveis furos ou buracos internos e externos. Se no pneu do caso em questão isso tivesse sido feito, certamente o estouro não ocorreria”, argumenta Guimarães.

Questionado se a recomendação não poderia causar transtornos aos motoristas, uma vez que nem sempre há representantes das marcas em todas as cidades e os furos de pneus não escolhem lugar para ocorrer, como numa estrada, o técnico frisa que, nesses casos, eventuais reparos emergenciais são considerados como provisórios. “Às vezes, conseguimos refazê-los e efetuar o conserto adequado.”

Opções

O engenheiro mecânico Marcos Serra Negra Camerini confirma a possibilidade de um conserto inadequado provocar sérios danos. “O pneu tem camadas internas compostas por lonas e cordonéis que se descolam no caso do produto continuar rodando furado. Assim, ele irá explodir da mesma maneira”, alerta.

Por isso, ele recomenda que se o reparo a ser efetuado for de grande porte, como um corte, o ideal é colocar o estepe - que deve estar sempre em boas condições - e andar com ele até o serviço ser executado. “Mas, se for um furo pequeno, é mais fácil consertá-lo de uma vez”, ressalta Marcos.

Entre os sistemas adotados atualmente nos reparos, o engenheiro destaca que, para os radiais, o americano, utilizado por borracheiros e lojas autorizadas, é um dos mais práticos. Este sistema utiliza como base uma massa de um derivado de petróleo inserida no pneu através de uma espécie de agulha grossa. “As vantagens são que ele não exige a desmontagem do pneu e não estraga o balanceamento”, afirma.

Entretanto, há muitos motoristas que ainda preferem os modos convencionais de corrigirem furos ou danos nos pneus: as vulcanizações, que podem ser feitas a frio ou a quente e exigem a desmontagem dos mesmos das rodas. “Normalmente, as mais recomendadas são a frio, pois nas quentes corre-se o risco de se destemperar a borracha”, explica o engenheiro.

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Tendências perigosas

Um pneu estourado com o veículo ainda em movimento é uma das ocorrências mais imprevisíveis e perigosas, que pode surpreender qualquer motorista. Entretanto, se um dia isso ocorrer com você, “torça” para que a explosão realize-se em um dos pneus dianteiros.

Quem explica o porquê é o engenheiro mecânico e professor da Unesp/Bauru, Luís Daré Neto. Ele ressalta que, quando o estouro acontece em um pneu da frente, é possível ao motorista manter a maneabilidade do veículo. “Ele consegue corrigir a trajetória girando o volante para o lado contrário ao pneu estourado. Desta forma, ele assegura o controle do automóvel”, afirma ele.

Entretanto, quando o pneu “vítima” é um dos traseiros, o perigo aumenta, pois, segundo Daré, a inércia sobre o veículo também é maior e o mesmo tende a escorregar de lado. E o pior, conforme o engenheiro, é que não há procedimentos de emergência a fazer. “Se o automóvel está em uma curva e o pneu traseiro estoura, é mais fácil rezar”, brinca.

Entretanto, Daré acrescenta que ao motorista restará tentar reduzir ao máximo a velocidade e manter uma distância segura de quem está à frente e atrás. “Além disso, o principal é não frear bruscamente, pois se fizer isso as rodas travam e o carro irá sair de traseira, podendo capotar”, alerta o professor.

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