Polícia

MP pede condenação de autor de racha

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

O Ministério Público pediu a pena máxima para os autores de dois rachas ocorridos em Bauru nos últimos anos. O primeiro causou a morte de Leonardo Greatti, em julho de 2000, e o segundo vitimou a comerciária Cláudia Silva Nerillo, num acidente ocorrido na avenida Getúlio Vargas, em setembro de 2001.

Um dos envolvidos figura como autor em ambos os casos. O racha, corrida de automóveis na via pública que normalmente põe em risco a segurança das pessoas, é crime.

Os promotores de Justiça entenderam que o funileiro André Luis Romão, 24 anos, conhecido por Sagu, e Adriano Augusto Gabriel, 20 anos, conhecido por Drico, assumiram o risco de provocar um grave acidente na avenida Getúlio Vargas ao participarem de uma competição não autorizada.

Ambos foram denunciados por homicídio doloso (com intenção). Se a denúncia for aceita pelo juiz, eles deverão ir a júri popular. Ou seja, serão julgados por um corpo de jurados que representam a sociedade. A sentença vai variar de seis a 20 anos de reclusão.

Além das mortes, a dupla responderá ainda por lesão corporal contra Fábio Gonçalves Mateus. O funileiro foi denunciado em outro caso de morte provocado por racha, ocorrido em 22 de julho de 2000, no acesso 228, da rodovia SP-225 (Bauru/Jaú), próximo da antiga fábrica da Coca-Cola.

Neste racha, o funileiro está sendo denunciado juntamente com Fernando Henrique Santos Silva, que também participou da competição sem autorização. Ambos responderão processo, se assim o juiz entender, por homicídio doloso e lesão corporal contra Marcus Vinícius Leizico.

Denunciar acidentes de trânsito com morte por homicídio doloso não é novidade em Bauru. Há mais de cinco anos, o promotor Heitor Costa denunciou um motorista que atropelou uma criança durante um racha.

Posteriormente, denúncias semelhantes pipocaram no Brasil inteiro. O caso mais famoso foi do filho de Pelé, Edinho, que se envolveu numa morte no trânsito quando participava de uma disputa não autorizada.

Dolo eventual

O promotor público José Roberto Segalla, autor da denúncia do acidente da avenida Getúlio Vargas, explica que o dolo eventual ocorre quando os autores, tendo consciência do risco que aquela atitude pode provocar, prosseguem na ação. “Eles assumiram o risco ao insistirem na conduta, sabendo que aquele não era o local adequado para uma competição automobilística”, frisa.

Segundo Segalla, o entendimento é que os autores acham que o mais importante, naquele momento, era vencer a competição, não se importando com as conseqüências. “No dolo eventual, o autor ou autores não querem aquele resultado, mas aceitam o risco prosseguindo com a conduta. As provas são fartas”, afirma.

O mesmo entendimento teve o promotor Paulo Sérgio Foganholi, que denunciou os envolvidos na morte de Leonardo Greatti, no acidente de julho de 2000.

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Acidente causou revolta popular

A morte da comerciária Cláudia Silva Nerillo, 29 anos, no dia 2 de setembro de 2001, causou revolta popular. Ela passeava com seu noivo, o escriturário Fábio Gonçalves Mateus, 27 anos, na avenida Getúlio Vargas. O casal ocupava uma moto Honda Biz.

Na quadra 12, a traseira da moto foi atingida por um veículo. A comerciária morreu e o escriturário teve lesões corporais graves. O acidente foi provocado por dois veículos, um Voyage, placas BVR 6553, de Bauru, com motor turbinado, conduzido por Adriano Augusto Gabriel, conhecido por Drico, e pelo Eclipse de André Luis Romão, conhecido por Sagu.

Os três veículos trafegavam sentido Centro/bairro. Próximo ao final da quadra 8, os dois carros emparelharam-se e Sagu teria aumentado o giro do motor de seu veículo, acelerando-o, porém mantendo o pé sobre a embreagem, impedindo o carro de avançar com velocidade.

O motorista, Adriano Gabriel, foi convidado por Everton Luiz Colhasso, ocupante do Eclipse, a disputar um racha na modalidade arrancada. O convite, segundo apurou o Ministério Púlico, teria partido do condutor do carro, André Luis Romão.

O trânsito no local era intenso, especialmente naquele dia, um final de tarde de domingo. Os dois veículos passaram a trefegar lentamente, segurando o trânsito e abrindo espaço à frente. Os roncos dos motores subiram, chamando a atenção dos populares que em grande quantidade se postaram nas calçadas da via, na condição de espectadores.

Ao atingirem a quadra 10, mantendo o giro do motor em alta rotação, os dois motoristas deram início ao racha, imprimindo velocidade em seus veículos. Em velocidade acima do permitido para a via, os dois automóveis passaram a trafegar emparelhados e em disputa até a quadra 12, quando os motoristas depararam-se com a moto Honda Biz, pilotada Mateus.

A moto trafegava em velocidade baixa, no mesmo sentido que os automóveis, pelo lado direito da pista. Com os dois automóveis emparelhados e com veículos estacionados junto ao meio- fio do lado direito da pista, ficou impossível ao motorista do Voyage ultrapassar a moto pelo lado esquerdo, já que a pista da esquerda estava ocupada pelo Elipse.

A colisão da frente do Voyage, em seu lado direito, com a parte traseira da moto, se tornou inevitável. O piloto da moto e sua noiva, Cláudia, caíram ao solo. Mateus sofreu lesões nas pernas, mas Cláudia, apesar de estar usando capacete, sofreu seríssimas lesões na cabeça.

Ela passou 14 dias hospitalizada e morreu. Após o acidente, houve revolta dos populares, que queriam virar um dos carros, furiosos com a cena.

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Contra o poste

No início da madrugada do dia 22 de julho de 2000, na via expressa, acesso 228, quilômetro 2 mais 300 metros da rodovia SP-225, Bauru/Jaú, proximidadees da fábrica da Coca- Cola, ocorreu um grave acidente de trânsito que resultou na morte de Leonardo Greatti e em lesões corporais em Marcus Vinícius Leizico.

Ambas as vítimas eram ocupantes do Gol placas BQS 0054, de Bauru, conduzido por Fernando Henrique Santos Silva, que colidiu contra um poste de iluminação pública.

Segundo apurado na investigação criminal, o condutor do Gol teria perdido a direção do veículo em função de estar imprimindo alta velocidade durante um racha. O outro automóvel envolvido na competição era um Gol placas BGG 7360 de São Paulo, conduzido pelo funileiro André Luis Romão, conhecido por Sagu.

No decorrer da investigação criminal Silva e Romão, a fim de fugir da responsabilidade criminal, negaram qualquer envolvimento no acidente. Silva afirmou que no volante de seu veículo estava a vítima Marcus Vinícicus Leizico.

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