Cultura

Espírito de Natal

Simone Simões
| Tempo de leitura: 4 min

No dia 25 celebra-se o nascimento de Cristo, a data mais importante do calendário religioso ocidental. E é no espírito de reflexão e solidariedade que envolve o período, que a designer Magaly Moraes reuniu cinco artistas para realizar uma confraternização na exposição “Arte Natalina”. A mostra foi aberta quinta-feira com coquetel e apresentação do Coral Cativar, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), no Garden Trade Center, espaço cultural Garden Hall .

Janira Fainer Bastos, Flaviana Tannus, Solange Maria Leão Gonçalves, Cris Meyer e Wagner Junqueira de Paiva expõem seus quadros, esculturas e objetos junto com os trabalhos dos alunos das oficinas de artesanato da Apae, procurando evidenciar que o espírito de Natal é também de solidariedade e de amor ao próximo.

A exposição permanece até o dia 15 e pode ser vista todos os dias das 14 às 21h. O ingresso é um quilo de alimento não-perecível para a campanha Natal sem Fome.

Na arte religiosa, santos são representados em meditação ou imersos em oração. Assim é o trabalho de Janira, que ante “Madonas” assentadas em colunatas de igrejas, representações serenas e suaves da “Anunciação”, da “Natividade” combina fotos antigas e fragmentos de quadros dos pintores clássicos em colagens executadas em computador e veladas por serigrafia. O trabalho incorpora o uso das novas tecnologias.

Flaviana Tannus introduz na textura lisa de cada quadro as sensações de profundidade, harmonia, leveza e poesia banhadas de uma claridade suave. São imagens quase abstratas, de formas geométricas e elementos de colagens elaboradas com coerência e ritmo.

Ela cria um mundo de sonhos, onde o espectador vive num instante de transcendência e revela o perfil de alguém que vê a arte como expressão da vida interior.

A artista plástica Solange é conhecida por seu trabalho executado em tear. Com extrema discrição, ela pinta cerâmicas e confecciona papel com filtro de café e fibras vegetais (como folha de bananeira e taboa). Também professora de educação artística, realiza trabalho de pesquisa sobre papéis recicláveis.

Para produzir o material exposto no Garden Hall ela contou com a ajuda de Natasha Pelosi que, como filha, já segue os passos artísticos da mãe produzindo velas.

Artista contemporânea, Cris Meyer se projetou no cenário da arte desde que passou a viver dela. Participou de várias exposições trabalhando com técnicas modernas e texturas. Suas telas, abstratas ou místicas, são feitas com tinta acrílica.

Sempre em busca do novo e guiada pela sensibilidade, a artista mescla materiais naturais (como barbante, sementes e especiarias) na produção de suas elaboradas mandalas.

Wagner Junqueira de Paiva é a novidade. Paulistano radicado em Bauru há cinco anos sempre trabalhou como dentista analisando sorrisos. Ele utiliza a sua experiência em detalhes para esculpir santos e presépios, desde o barro até a pintura.

Com a curiosidade e criatividade de um homem renascentista, realiza um trabalho com corte, dobra, e pintura de folhas de cobre. Do trabalho nascem peixes, borboletas e pássaros com um brilho exuberante.

• Serviço

Exposição coletiva de arte natalina no espaço cultural Garden Hall, no Garden Trade Center, aberta ao público em geral até o dia 15, podendo ser vista das 14h às 21h. O ingresso é um quilo de alimento não-perecível para a campanha Natal sem Fome. Rua Júlio de Mesquita Filho, 10-31.

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O Espaço

O espaço cultural Garden Hall, localizado no Garden Trade Center, possui uma estrutura especial para atender à necessidade dos artistas bauruenses. Desde março deste ano, quando foi realizada a primeira mostra cultural no local, que o prédio recebe exposições, oferecendo ao público bauruense mais uma opção de lazer.

O artista não tem gastos para alugar a sala Garden Hall. O espaço é oferecido gratuitamente para a realização de eventos e além disso, tem ambiente climatizado com ar-condicionado e iluminação dicróica (luz direcionada utilizada na iluminação de peças em exposições). Suportes para esculturas também compõem o espaço. Paredes e colunas são preparadas para receber as obras.

O arquiteto Rodrigo Riad Said, comenta que em Bauru é muito difícil um espaço para os expositores apresentarem os seus trabalhos. Segundo ele, o problema que os artistas mais enfrentam na cidade é a agenda lotada em espaços alternativos ou o custo para se alugar um saguão de exposição. Said salienta que a intenção é estabelecer uma parceria entre as empresas instaladas no local e os artistas.

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