Saúde

Tratamento depende da severidade do distúrbio

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O tratamento da apnéia do sono vai depender do grau de severidade do distúrbio. Especialistas do Instituto de Medicina do Sono de Bauru afirmam que quadros leves quase sempre são sanados com mudanças de hábitos simples, como perder peso, dormir de lado ao invés de com a barriga para cima, evitar a ingestão de bebidas alcoólicas e alimentos pesados antes de dormir.

Nos casos moderados, além das mudanças de hábito, o médico ou dentista pode prescrever o uso de uma placa entre os dentes para dormir. O “aparelho” puxa a mandíbula alguns milímetros para a frente.

“A placa promove um avanço dos ossos e mantém a musculatura da base da língua esticada a noite toda. Isso aumenta o calibre, a abertura da via aérea e facilita a passagem do ar”, explicam os dentistas Eduardo Rollo Duarte e Walter da Silva Júnior, especialistas em próteses.

Para os casos graves de apnéia, quando a pessoa tem mais de 30 paradas respiratórias por noite, os profissionais indicam o uso de um aparelho chamado Cpap (do inglês, Continuous Positive Airway Pressure). Trata-se de um compressor de ar. O paciente coloca uma máscara no nariz e recebe uma injeção contínua de ar comprimido. A pressão mantém a laringe aberta e libera a passagem do ar.

Questionado sobre o incômodo da máscara e do barulho durante toda a noite, o neurologista Alberto Luiz Moura dos Santos afirma que o compressor é silencioso. “E o cansaço de quem sofre de apnéia grave e não respira é tão grande que os pacientes se apaixonam pelo aparelho”, comenta.

Os especialistas comentam que a doença também pode ser tratada com cirurgias, mas são procedimentos agressivos e pouco recomendados. “Antigamente, fazia-se a cirurgia do ronco, retirando um pedaço do palato. Com o passar do tempo, viu-se que só isso não resolvia, porque há várias outras estruturas envolvidas. Em 90% dos casos, o ronco voltava em um ano”, conta Santos.

Segundo ele, apesar de ainda ser realizado no Brasil, o procedimento é contra-indicado nos Estados Unidos para o tratamento da apnéia. “Só se usa esta cirurgia para pessoas que só têm o ronco. Mas ainda assim elas são avisadas de que estão tirando o sinalizador de uma possível futura apnéia, já que o ronco é o principal sintoma”, acrescenta.

Outra opção é a cirurgia ortognática. O profissional fratura os ossos do maxilar e da mandíbula, traciona para a frente e amarra. Funciona como a placa, mas se a pessoa engordar, perde o efeito.

Os profissionais são unânimes em afirmar que o tratamento cirúrgico só deve ser feito em último caso. Se o paciente tem claustrofobia, por exemplo, e não vai suportar a máscara do Cpap, ou se é portador da síndrome de Down e retira o aparelho durante a noite.

Eles reforçam que a placa entre os dentes e o compressor são alternativas 100% naturais, que não incluem medicamentos e nem oferecem efeitos colaterais. As cirurgias, porém, são traumáticas, alteram a estética e a voz do paciente, aumentam a sensibilidade do rosto, além de oferecer todos os riscos inerentes a qualquer procedimento invasivo.

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