Política

Audiência do transporte coletivo expõe problemas

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

A audiência pública que discutiu o sistema de transporte coletivo urbano, realizada na última sexta-feira à noite na Câmara Municipal de Bauru, expôs a necessidade de aplicação imediata da reestruturação das linhas e itinerários na cidade, a chamada modelagem. A direção da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) prometeu iniciar a primeira etapa da modelagem já em janeiro do próximo ano.

A reestruturação completa até a implantação do passe-integração está prevista para ocorrer em até 23 meses, chegando ao final do governo Nilson Costa (PPS). O presidente da Emdurb, Edmilson Queiroz Dias, disse na audiência que as concessionárias do setor ofereceram um estudo para a implantação das mudanças.

“O passe-integração não será implantado em janeiro de 2003 porque depende de outras ações. A primeira etapa da modelagem começa em janeiro”, afirma.

A audiência foi presidida pelo vereador José Humberto Santana (PV) e contou também com a presença da vereadora Majô Jandreice (PC do B). “A sociedade precisa saber qual a essência do plano de modelagem a ser executado e como vai ficar a situação para o usuário, como vai ficar o débito da Câmara de Compensação Tarifária (CCT)”, questionou Majô.

O diretor da área de transporte coletivo da Emdurb, Waldomiro Fantini Jr., voltou a repetir que o sistema de ônibus coletivos em Bauru é irracional e apresenta opções de linhas que disputam o mesmo passageiro, o que torna o custo final elevado.

“Há um desequilíbrio entre oferta de passageiros e número de veículos nas ruas e nosso sistema precisa ser racionalizado. As linhas vão ser remodeladas para que o passageiro tenha boa opções, em intervalos adequados e com pontos mais bem distribuídos”, citou Fantini.

Ele comentou que há cerca de quatro anos o sistema transportava 4,5 milhões de passageiros/mês com 250 ônibus. Mas as demandas judiciais envolvendo a Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB) elevaram a frota para 360 carros, segundo ele. “Hoje conseguimos reduzir o número de ônibus rodando nas ruas para 260 unidades mas o número de passageiros transportados caiu para 2,9 milhões”, informa.

A dívida operacional do sistema já supera R$ 5,1 milhões. Só em novembro passado o déficit foi de R$ 600 mil. A audiência pública também contou com a participação de membros do Conselho de Usuários do Transporte Coletivo Urbano, de entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e os sindicatos dos Bancários e dos Servidores Municipais, de representantes de associações de moradores e de técnicos da Emdurb.

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