Mesmo não mais vivendo em Bauru, sempre recebo notícias da terrinha, seja através do JCNet, seja por bauruenses que volta e meia aparecem por aqui. As coisas pelo jeito não mudaram muito desde minha saída. Se não, vejamos. Estabelecimentos comerciais que abrem num dia e fecham em outro (parabéns ao sobrevivente Armazém Bar), cenário político e colunas sociais mostrando sempre os mesmos, cuja única mudança é um Júnior, Netto ou Filho acrescido ao patronímico, e índices de criminalidade crescendo num ritmo alucinante. Outra nuvem negra que vejo insistir em permanecer sobre a cidade é a que faz com que Bauru continue perdendo terreno para as cidades da região, principalmente na questão das indústrias que poderiam se instalar na Sem Limites, gerando receitas e principalmente empregos, mas que acabam por fixarem-se em cidades bem menos expressivas, cujo nome ninguém conhece, como Gavião Bueno (ou seria Galvão Peixoto?). Esta questão do desemprego em Bauru é a que mais me aflige. Filas quilométricas defronte às agências de emprego, empresas que vão embora, milhares de recém-formados despejados anualmente no mercado de trabalho pelas faculdades, que na realidade se tornam recém-desempregados, dinheiro que não circula, criminalidade... Para piorar, soube da história de um casal de Bauru que fabricava artesanalmente, dentro da própria residência, balas jujuba. Estas balas tinham muita aceitação no mercado e eram vendidas em vários estabelecimentos, inclusive na garagem da casa-fabriqueta. A renda gerada pelos doces davam para sustentar a família do casal fabricante, que inclusive tinha filhos na faculdade, bem como sustentavam as famílias das pessoas que na fabriqueta trabalhavam. Porém, num belo dia, eis que surgiu das trevas um sulfuroso fiscal do trabalho, que aplicou uma multa ao casal, pois a fabriqueta, a exemplo de milhões de pessoas no Brasil, operava na informalidade. Resultado: a multa, somada à exigência de regularização da fabriqueta, tornou inviável a continuação das atividades, obrigando o casal a encerrar a produção e demitir as pessoas que com eles trabalhavam, e que recebiam, apesar do caráter informal, todos os direitos trabalhistas, fora o sadio ambiente de trabalho, sem insalubridade e periculosidade. Moral da história: É o próprio Ministério do Trabalho proibindo que se trabalhe. Os fiscais apenas fazem cumprir a lei, porém, hodiernamente, é necessário usarem de certa discricionariedade ao aplicá-la, face ao período de crise pelo qual estamos atravessando, mais precisamente nesta bela e famosa Capital da Terra Branca. (Haroldo César Volpe Guedes - RG 19.807.568-6 SSP/SP)
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