Política

Bueno afasta-se da CEI das compras

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O vice-presidente da Câmara Municipal, vereador Roberto Bueno (PTB), pediu ontem afastamento da Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras. O ofício, encaminhado ao presidente da comissão de investigação, Luiz Carlos Valle (PSB), foi lido durante a sessão legislativa.

O plenário do Poder Legislativo elegeu João Parreira (PSDB) para substituir Bueno na CEI das compras. Sua primeira participação como membro da comissão de apuração vai ocorrer na próxima sexta-feira, dia em que está agendado novos depoimentos sobre o caso.

No último dia 25, o vereador José Humberto Santana (PV), protocolou pedido de afastamento do petebista por entender que ele está sob suspeição nas apurações de irregularidades verificadas na Câmara.

Na época, a solicitação foi encaminhada à Comissão de Justiça, Legislação e Redação da Casa, presidida por Faria Neto (PDT), que indicou como relator Paulo Eduardo Martins Neto (PFL).

Santana tentou colocar o pedido de afastamento de Bueno em votação ainda no plenário, mas Martins Neto sentiu-se sem condições de avaliar a situação e pediu prazo regimental de cinco dias para dar seu paracer.

O processo também foi encaminhado para a Consultoria Jurídica da Câmara, que atestou como legal e constitucional o pedido.

A solicitação deveria compor a pauta de discussão e votação da sessão legislativa de ontem, mas a falta de uma assinatura de encaminhamento, a de Faria Neto, emperrou a tramitação.

O presidente da Comissão de Justiça, Legislação e Redação teve que viajar antes de remeter o processo à Consultoria Jurídica, que seguiu sem sua assinatura. Após tomar conhecimento de que o pedido não foi à votação pela falta de sua assinatura, Faria Neto começou a articular, com outros vereadores, a convocação de uma sessão extraordinária para votar a solicitação de Santana.

‘Apaziguar os ânimos’

No documento remetido à CEI das compras, Roberto Bueno diz que entendia que sua participação na investigação seria “salutar para os destinos da apuração”. Ele lembra da sua experiência como parlamentar, “adquirida em quatro mandatos”.

“Sempre entendemos e continuamos a entender que o simples fato de também sermos vice-presidente da Câmara Municipal não tinha nada de incompatível com nossa participação como membro da referida comissão, o que decorria de nossa postura anterior em casos desse jaez”, afirma.

O parlamentar conta que participou de todas as reuniões da CEI e que suas intervenções aconteceram no sentido de “aprimorar” os trabalhos, dando um “rumo certo” às investigações.

“Infelizmente, embora intervindo com a transparência que é exigida de todo e qualquer parlamentar, minha permanência na Comissão Especial de Inquérito não tem a compreensão de alguns vereadores”, relata.

O petebista avalia que, diante dessa situação, passou a considerar a necessidade de “apaziguar os ânimos” na Câmara Municipal.

“Passamos a considerar também que, embora sempre tenhamos agido com transparência em nossas atividades legislativas e, que tão logo apresentado o relatório, votaríamos a favor do seu encaminhamento para os órgãos que têm competência para as ações cíveis, criminais ou administrativas que o caso viesse a comportar”, afirma.

Bueno finaliza o documento explicando que sua decisão vai evitar constrangimentos entre os vereadores que compõem a CEI das compras e o plenário.

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