Política

João Parreira: 'Câmara parece casa da sogra'

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O vereador João Parreira (PSDB) afirmou ontem, em discurso feito da tribuna livre, que as denúncias de irregularidades contra o Poder Legislativo levam a população a crer que a Câmara Municipal “parece a casa da sogra”.

“Mas não é”, afirma. Para ele, o comando da Casa poderia tomar algumas decisões que evitariam que a sociedade avaliasse que a Câmara é uma “nau sem rumo”.

Uma delas, segundo Parreira, seria o afastamento do ex-diretor administrativo Luiz Renato Joel de suas atividades do Poder Legislativo. Embora tenha sido exonerado do cargo, Joel assumiu funções no setor de recursos humanos da Casa.

“O Joel foi afastado da diretoria administrativa, mas continua transitando pela Casa sem nenhum constrangimento. Não tenho nada de pessoal contra ele. Mas diante das circunstâncias, ele deveria ter sido afastado da Câmara Municipal”, afirma.

O tucano lembra que na última sexta-feira o ex-diretor do Legislativo concedeu uma entrevista a Rádio Auri Verde na qual insinuou que deveria se ficar atento aos sacos de lixo, onde poderiam aparecer materiais ou equipamentos que sumiram do prédio.

“E de repente hoje (ontem) aparece essa lente zoom da máquina de microfilmagem que estava desaparecida. O que mais vai aparecer? Isso desmoraliza a Câmara”, diz.

Para o parlamentar tucano, é estranho que um prédio que é monitorado durante as 24 horas do dia pessoas entrem sem serem notadas.

Parreira lembra que a Câmara Municipal teve passagens históricas na formação política do município. “A própria fundação de Bauru foi um ato do Poder Legislativo ao transferir a sede do município de Espírito Santo de Fortaleza, nas imediações de Agudos, para Bauru”, diz.

O vereador avalia que o Legislativo sempre foi o “guardião da moralidade e da ética” e remete a posições do passado, quando a Casa cassou o mandato de um vereador (Hélio Pires) e de um prefeito (Antonio Izzo Filho).

“Perplexidade”

O advogado Cláudio Bahia, que defende o ex-diretor administrativo da Câmara, avaliou com “perplexidade” o discurso feito por Parreira.

“Ele (Parreira) deveria ter o cuidado de não condenar pessoas que ainda não foram julgadas. O processo contra Luiz Renato Joel ainda não terminou. Isso é muito perigoso”, alerta.

Bahia entende que Joel é servidor concursado do Legislativo e que ainda não há provas e elementos que possam decretar seu afastamento por completo da Câmara.

“Ele não é bandido. Como servidor do Legislativo, ele (Joel) tem todo direito de trabalhar. Parece que tudo que acontece na Câmara, agora, é culpa do Luiz Renato”, desabafa.

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