Economia & Negócios

Banespa pode demitir 1,3 mil funcionários

Por Patrícia Zamboni | Colaborou Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Hoje é o prazo final para cerca de 1,3 mil funcionários do Santander/Banespa em todo o País, sendo 12 de Bauru, responderem se aderem ou não ao Programa de Desligamento Incentivado (PDI) implantado pela instituição. O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região classifica o fato como um “programa de demissão dirigido”.

Diante do que está sendo considerado uma séria ameaça de demissão, o diretor do sindicato, Marcos Silvestre, afirma que as reações serão severas por parte da categoria. Segundo ele, os funcionários que receberam a carta contendo os termos do PDI têm entre 14 e 26 anos de trabalho no banco, nas mais diversas funções.

“A correspondência claramente insinua que, caso não adiram, os funcionários indicados poderão ser demitidos. Com isso, o clima de comoção e revolta tomou conta de diversos locais de trabalho. Mas uma coisa é certa: se houver demissões, o banco pára, destaca Silvestre. A carta foi enviada aos funcionários na quinta-feira passada.

A indenização oferecida a quem aderir ao PDI é de apenas três salários a mais para os empregados com até dez anos de serviços prestados ao Banespa; quatro salários para os que têm mais de dez e até 20 anos de trabalho, e cinco salários para aqueles com mais de 20 anos.

As demais verbas pagas a quem aderir ao programa são garantidas por acordo coletivo, convenção coletiva e pela própria legislação. “Exatamente por isso, não podem ser caracterizadas como vantagens”, acrescenta Silvestre.

Pressão

Ele afirma que o sindicato irá procurar a equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva com o objetivo de pressionar o Banespa/Santander a não demitir.

Além de alegar que o banco já tem carência de funcionários - nos últimos 12 meses já teriam sido cortados cerca de 10 mil postos de trabalho -, Silvestre aponta o contrasenso das atitudes da direção do Banespa/Santander.

“Com grande hipocrisia, o Santander fica fazendo propaganda sobre a árvore de Natal de R$ 2 milhões que será montada em São Paulo, no Ibirapuera, e de que o banco vai participar da campanha Natal sem Fome, só que vai dar um ‘natal com fome’ para mais de 1.000 funcionários que podem ser demitidos sem nenhum critério aparente”, acusa Silvestre.

De acordo com dados do sindicato, antes do Banespa ser privatizado pelo grupo Santander - em novembro de 2000 -, empregava cerca de 22 mil pessoas em todo o País, sendo em torno de 400 somente em Bauru. Atualmente são cerca de 12 mil ao todo, sendo aproximadamente 270 em Bauru.

Em contato com a reportagem, a assessoria de imprensa do Banespa/Santander se limitou a dizer que “o banco não se pronunciará sobre o PDI”.

Futuro incerto

Um funcionário do banco, que pediu para ter seu nome preservado temendo represálias - que de maneira fictícia chamaremos de Alfredo -, diz que o PDI pegou todos de surpresa. Com mais de 20 anos de serviços prestados à empresa, ele recebeu a correspondência e se viu forçado a decidir, em uma semana, seu futuro.

“O susto foi muito grande. Nós tínhamos ouvido falar alguma coisa referente a um plano de demissão voluntária, mas que seria oferecido a todos. Esse PDI não deixa de ser uma discriminação”, desabafa.

Na opinião dele, o banco vai demitir e não contratará novos funcionários na mesma proporção. Alfredo diz que tem sido muito elevada, quase diária, a quantidade de horas extras feitas pelos atuais funcionários do banco. Sobre o futuro, ele ainda não pode fazer planos.

“Quem recebeu a carta do PDI está na situação de se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Tenho três filhos, e a renda da casa depende praticamente de mim, porque minha mulher ganha pouco. Nos momentos em que mais precisei do banco, não tive nenhum apoio”, lamenta Alfredo.

De acordo com ele, quase todos os funcionários de Bauru que receberam a carta para participar do PDI tiveram algum “atrito com o pessoal graduado da agência.” Na opinião do bancário, a indicação dessas pessoas teria surgido das próprias agências.

“Tudo indica que as pessoas que receberam a carta foram particularmente apontadas, porque não havia como a regional do banco saber desses problemas, e a carta veio de São Paulo. Por outro lado, sempre tive uma vida muito disciplinada dentro do banco. Só que com o meu salário, o banco contrata quatro pessoas novas e bonitas. Não temos mais a cara do Santander”, observa.

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