Hoje é o prazo final para cerca de 1,3 mil funcionários do Santander/Banespa em todo o País, sendo 12 de Bauru, responderem se aderem ou não ao Programa de Desligamento Incentivado (PDI) implantado pela instituição. O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região classifica o fato como um “programa de demissão dirigidoâ€.
Diante do que está sendo considerado uma séria ameaça de demissão, o diretor do sindicato, Marcos Silvestre, afirma que as reações serão severas por parte da categoria. Segundo ele, os funcionários que receberam a carta contendo os termos do PDI têm entre 14 e 26 anos de trabalho no banco, nas mais diversas funções.
“A correspondência claramente insinua que, caso não adiram, os funcionários indicados poderão ser demitidos. Com isso, o clima de comoção e revolta tomou conta de diversos locais de trabalho. Mas uma coisa é certa: se houver demissões, o banco pára, destaca Silvestre. A carta foi enviada aos funcionários na quinta-feira passada.
A indenização oferecida a quem aderir ao PDI é de apenas três salários a mais para os empregados com até dez anos de serviços prestados ao Banespa; quatro salários para os que têm mais de dez e até 20 anos de trabalho, e cinco salários para aqueles com mais de 20 anos.
As demais verbas pagas a quem aderir ao programa são garantidas por acordo coletivo, convenção coletiva e pela própria legislação. “Exatamente por isso, não podem ser caracterizadas como vantagensâ€, acrescenta Silvestre.
Pressão
Ele afirma que o sindicato irá procurar a equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva com o objetivo de pressionar o Banespa/Santander a não demitir.
Além de alegar que o banco já tem carência de funcionários - nos últimos 12 meses já teriam sido cortados cerca de 10 mil postos de trabalho -, Silvestre aponta o contrasenso das atitudes da direção do Banespa/Santander.
“Com grande hipocrisia, o Santander fica fazendo propaganda sobre a árvore de Natal de R$ 2 milhões que será montada em São Paulo, no Ibirapuera, e de que o banco vai participar da campanha Natal sem Fome, só que vai dar um ‘natal com fome’ para mais de 1.000 funcionários que podem ser demitidos sem nenhum critério aparenteâ€, acusa Silvestre.
De acordo com dados do sindicato, antes do Banespa ser privatizado pelo grupo Santander - em novembro de 2000 -, empregava cerca de 22 mil pessoas em todo o País, sendo em torno de 400 somente em Bauru. Atualmente são cerca de 12 mil ao todo, sendo aproximadamente 270 em Bauru.
Em contato com a reportagem, a assessoria de imprensa do Banespa/Santander se limitou a dizer que “o banco não se pronunciará sobre o PDIâ€.
Futuro incerto
Um funcionário do banco, que pediu para ter seu nome preservado temendo represálias - que de maneira fictícia chamaremos de Alfredo -, diz que o PDI pegou todos de surpresa. Com mais de 20 anos de serviços prestados à empresa, ele recebeu a correspondência e se viu forçado a decidir, em uma semana, seu futuro.
“O susto foi muito grande. Nós tínhamos ouvido falar alguma coisa referente a um plano de demissão voluntária, mas que seria oferecido a todos. Esse PDI não deixa de ser uma discriminaçãoâ€, desabafa.
Na opinião dele, o banco vai demitir e não contratará novos funcionários na mesma proporção. Alfredo diz que tem sido muito elevada, quase diária, a quantidade de horas extras feitas pelos atuais funcionários do banco. Sobre o futuro, ele ainda não pode fazer planos.
“Quem recebeu a carta do PDI está na situação de se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Tenho três filhos, e a renda da casa depende praticamente de mim, porque minha mulher ganha pouco. Nos momentos em que mais precisei do banco, não tive nenhum apoioâ€, lamenta Alfredo.
De acordo com ele, quase todos os funcionários de Bauru que receberam a carta para participar do PDI tiveram algum “atrito com o pessoal graduado da agência.†Na opinião do bancário, a indicação dessas pessoas teria surgido das próprias agências.
“Tudo indica que as pessoas que receberam a carta foram particularmente apontadas, porque não havia como a regional do banco saber desses problemas, e a carta veio de São Paulo. Por outro lado, sempre tive uma vida muito disciplinada dentro do banco. Só que com o meu salário, o banco contrata quatro pessoas novas e bonitas. Não temos mais a cara do Santanderâ€, observa.