Polícia

Psicóloga alerta para banalização da vida

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 1 min

A morte por espancamento do adolescente de 15 anos, Danilo Garcia dos Anjos, é resultado da banalização da vida, disseminada por jogos e “enlatados” televisivos importados. Essa é a opinião da psicóloga Ana Cristina Pereira, que também trabalha com jovens em seu consultório.

“Matar ou morrer virou algo corriqueiro, natural. A criança cresce achando isso comum. Assim, a vida perde o valor. Há alguns anos, nem os super-heróis matavam. Fiquei chocada quando tive contato com jogos de vídeo game: o termo usado é matar mesmo”, conta.

Para ela, esse episódio é um retrato de uma situação que envolve um emaranhado de fatores, inclusive o sistema capitalista semeador da competição desmedida. “Os jovens aprendem que algumas metas ou objetivos devem ser conquistados a qualquer custo, justamente numa fase em que a questão da auto-afirmação é muito forte. É o poder e a competição que mobilizam para a violência”, explica.

Na opinião da psicóloga, a paixão desencadeia o ódio e pode indicar um motivo para a agressão, mas a necessidade de se auto-afirmar é o que resulta em pancadaria.

Em um ano, este é o segundo caso de espancamento de menores seguido de morte na cidade e, nas duas circunstâncias, a atenção de uma menina foi citada.

“Esse aspecto - o da paixão - é secundário. O domínio, que é instigado o tempo todo, é o que provoca atitudes desta natureza. Atendo adolescentes que saem de casa com o único objetivo de arrumar briga nos locais em que freqüentam. Além do problema de auto-afirmação, fica clara a inversão de valores”, conclui.

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