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Pai se acorrenta em protesto no Cefam

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O programador visual José Fernando Redondo Mendes, 38 anos, se acorrentou a uma mesa do Centro de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (Cefam) de Bauru ontem pela manhã como forma de protesto. Indignado pelo fato de seu filho não ter sido aprovado no vestibulinho da escola, ele cobra mudanças nos critérios de distribuição de vagas.

O Cefam, localizado na Vila Falcão, oferece 120 vagas para a 2.ª série do magistério em 2003 e o filho de Mendes foi classificado em 346.º lugar. Depois de cerca de duas horas de protesto e conversar com a direção do Cefam, ele abriu os cadeados que o mantinham preso à mesa e foi embora.

Porém, Mendes promete cobrar da Secretaria do Estado de Educação mudanças nos critérios de distribuição de vagas. “Esse protesto de hoje (ontem) é o início do movimento. Não é justa essa forma de distribuição de vagas. Acho que não deveria haver cota de vagas. Se uma pessoa estuda em escola pública é carente e deveria ter vaga garantida”, afirma.

O Cefam destina 60% das vagas para alunos da rede pública do período noturno; 30% aos da rede pública do período diurno e 10% aos de demais escolas, segundo Olinda Aparecida Bassan Franco, diretora do Cefam. “A distribuição de vagas é feita seguindo resoluções da Secretaria de Educação”, afirma.

O filho de Mendes estuda em escola pública, no período da manhã. Por isso, entrou no grupo que disputa apenas 30% das vagas. “Meu filho é tido como um ótimo aluno na escola dele. Quando fez a prova, ele disse que foi fácil. Vim para cá achando que ele havia passado em 20.º lugar. Não dá para entender”, afirma

Ao ser informado da classificação obtida por seu filho, Mendes queria ver a prova. A diretora do Cefam explicou que o pedido não poderia ser atendido devido às regras do processo seletivo. “Mas vamos levar a reivindicação dele à Secretaria de Educação”, pondera.

O advogado Sérgio Rosseto, chamado pela família de Mendes, afirma que há duas possibilidades de ter acesso à prova corrigida. “Podemos entrar com recurso administrativo e, se for negado, solicitar judicialmente”, diz.

Bastante nervoso e tremendo, Mendes explica que, caso seu filho fosse aprovado, a bolsa-auxílio dada aos alunos do Cefam, no valor de um salário mínimo por mês, ajudaria muito a família. Como o curso é em período integral, a bolsa é uma forma de ajuda para que o aluno não precise trabalhar.

Jair Sanches Vieira, dirigente regional de ensino, reafirma que o Cefam segue resoluções da Secretaria de Educação. Porém, ele diz que existe possibilidade de mudança. “Vamos levar a reivindicação dele à Secretaria de Educação. Quem sabe o critério social não é adotado para os próximos vestibulares”, finaliza.

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Dificuldades

Pai de três filhos e desempregado desde outubro, José Fernando Redondo Mendes conta que perdeu 50% da visão no olho direito e está em dificuldades financeiras. “A situação está difícil. Meu filho já prestou o CTI (Colégio Técnico Industrial da Unesp) e não passou. Isso tudo também influenciou eu tomar essa decisão (de amarrar-se à mesa da escola)”, afirma.

Mendes conta que trabalhou nove anos em uma empresa e acabou sendo demitido depois que perdeu 50% da visão do olho direito. “Tive uma infecção no olho por causa do ar condicionado. O galpão era muito abafado e foram colocados vários aparelhos de ar-condicionado. Eu e outros colegas adquirimos a síndrome do olho seco”, afirma.

Ainda acorrentando à mesa, o programador visual fez críticas aos políticos. “Vemos essa bagunça que está na Câmara Municipal (referindo-se às denúncias de compras irregulares). O Brasil está difícil e precisando de mudanças. Por isso resolvi fazer esse protesto”, completa.

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