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Integração americana em debate


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Nos últimos dias 19 e 20 de novembro, Brasília foi palco de um evento inédito nas Américas: trata-se da Cúpula Parlamentar de Integração Continental, que reuniu presidentes e líderes dos poderes legislativos de quase todos os países do hemisfério. Na ocasião, essas lideranças parlamentares discutiram, a partir do ponto de vista de suas respectivas experiências nacionais, as perspectivas para se efetivar uma integração continental que viabilize não apenas o livre comércio na região, mas, sobretudo, potencialize uma integração abrangente, com benefícios sociais e econômicos para todas as partes.

Cabe lembrar que a integração hemisférica é muito mais do que a adoção de uma área de livre comércio. Os acordos comerciais são um primeiro passo rumo à integração. A construção de uma área de livre comércio unindo alguns dos países mais ricos, mais pobres, maiores e menores do mundo é uma tarefa nada trivial. A economia dos Estados Unidos, por exemplo, é quase 10 vezes maior que a economia brasileira, sendo esta a segunda maior do hemisfério, e cerca de 100 vezes maior do que a totalidade das economias dos países da América Central e Caribe combinadas.

Some-se a isso as enormes diferenças entre o grau de desenvolvimento tecnológico, nível de capitalização, poder de mercado dos agentes econômicos e grau de organização da economia dos distintos países, bem como a diversidade de políticas macroeconômicas, industriais, educacionais e creditícias no âmbito doméstico.

As discrepâncias entre os países americanos não existem apenas na esfera econômica. Há, ainda enormes diferenças de natureza cultural, social e política que acentuam o desafio de se promover uma integração capaz de atingir os objetivos distintos manifestados pelas 34 nações democráticas participantes do processo de formação do que hoje chamamos de Alca. A Cúpula Parlamentar de Integração Continental é uma iniciativa pioneira no sentido de promover um amplo debate sobre as múltiplas dimensões deste processo de integração. Trata-se do conclave ideal para se iniciar a troca de experiências e a possível geração de uma agenda parlamentar comum.

O parlamento, caixa de ressonância dos anseios populares, constitui foro e agente ideais para tornar transparente e democrático o debate em torno da integração hemisférica. A Cúpula Parlamentar busca potencializar este papel bem como fortalecer a cooperação interparlamentar acerca de um tema que nenhum país do continente pode se omitir. (O autor, Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, é doutor em Economia pela Universidade de Harvard (EUA) e professor-titular e vice-presidente da Fundação Getúlio Vargas. É deputado federal pelo PFL/SP)

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