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Bauru implanta primeira prótese facial

Da Redação
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Próteses de silicone são cada vez mais utilizadas para reconstituir regiões do corpo destruídas por doenças ou acidentes. É o que afirma o médico inglês Colin Haylock, que está em Bauru para ensinar como confeccionar e implantar prótese facial.

Chamada de anaplastologia na Inglaterra, o procedimento é considerado trabalhoso e caro, mas apresenta bom resultado. Haylock fez o primeiro implante facial em Bauru, que ainda não possuía a técnica, afirma o oftalmologista Raul Gonçalves de Paula, diretor do Hospital de Olhos de Bauru (HOB), onde a cirurgia foi realizada.

Paula diz que um paciente recebeu uma prótese para região dos olhos. Ela foi confeccionada artesanalmente por Haylock, que trouxe os materiais necessários da Inglaterra.

O Hospital de Olhos trabalha somente com a prótese ocular. Mas Haylock realizou também sete implantes oculares nesta semana em Bauru. “Ele trouxe um material que oferece um ótimo resultado. Fica díficil distingüir qual dos olhos do paciente é o implantado”, declarou Paula.

Haylock ministrou na cidade o 1.o Curso Internacional de Prótese Órbito Facial de Bauru. Participaram das aulas as ocularistas Ercilia Mortari de Paula, do HOB, Rosa Parolo e Karyna Campos do Centrinho.

Há dois anos, Paula também estudou com Haylock no Charing Cross Hospital London, um complexo com cinco hospitais que abriga a Faculdade de Medicina de Londres, onde ele é professor, conta o oftalmologista.

Foi nesta ocasião que o HOB começou a viabilizar a vinda do professor para Bauru, diz Paula. O objetivo do HOB é implantar na cidade a técnica utilizada por Haylock há 30 anos.

Segundo Haylock, o primeiro implante de Bauru foi bem sucedido. O ocularista inglês explica que a prótese feita de silicone dura cerca de dois anos, que o paciente tem que ter cuidados especiais - como a retirá-la para dormir - para conservá-la e fixá-la todos os dias com cola de silicone.

O professor diz que todo trabalho de confecção, tanto da prótese ocular, quanto facial, é manual. Para fazer a facial, ele leva aproximadamente 12 horas e a ocular cerca de cinco horas, conta.

Haylock diz que os resultados são satisfatórios, além de o implante alterar o estado psicológico do paciente. Segundo ele, as pessoas que necessitam de implante facial passam por um processo de perda da auto-estima e isolamento social, que são amenizados ou praticamente solucionados após o procedimento.

Haylock apresentou também uma conferência em Ribeirão Preto, no 1.º Simpósio Internacional de Órbita Facial. Ele apreciou os trabalhos apresentados pelos brasileiros e acredita que a técnica da anaplastologia logo será mais disseminada no Brasil.

Paula diz que após este curso ministrado por Haylock, os profissionais de Bauru continuarão estudando a técnica. “Vamos treinar antes de iniciar os atendimentos. Já temos condições técnicas para realizar implantes, mas vamos buscar mais aperfeiçoamento. Queremos fazer um bom trabalho”, finaliza Paula.

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