O câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) recebeu pelo menos US$ 60 mil em investimentos da maior fabricante mundial de microprocessadores, a Intel. A empresa doou um laboratório, hospedado pelo departamento de Computação, que foi oficialmente inaugurado ontem.
O novo centro de pesquisas possibilitará aos estudantes da instituição o acesso à infra-estrutura para o desenvolvimento de multimídias móveis. Ele também integrará a universidade a uma iniciativa pioneira denominada Wireless Competence Network.
O projeto visa promover tecnologia de acesso à Internet através de computadores, celulares e notebooks, por exemplo, conectados a redes sem fio. Para tanto, foram entregues à Unesp quatro computadores Pentium e quatro kits de desenvolvimento integrados por plataformas de hardware, que podem ser utilizados para emular outros hardwares.
Inicialmente, o laboratório foi equipado com dispositivos que funcionam por sinais infravermelho ou antenas que os conectam em rede. Essa tecnologia sem fio é chamada wireless.
De acordo com coordenador do Laboratório de Tecnologia da Informação Aplicada (LTIA) do Departamento de Computação da Faculdade de Ciências, Eduardo Morgado, os recursos foram conquistados graças a uma parceria com a empresa que já dura três anos.
“Através do convênio, já conseguimos a doação de outros 50 microcomputadores, dois servidores e equipamentos de rede. Um investimento total de US$ 100 mil desde o início do ano 2000â€, conta.
Na opinião dele, essa é a oportunidade da Unesp desenvolver mão-de-obra qualificada e uma massa crítica de pesquisa que pode dar início à tecnologia brasileira sem fio.
“Nos próximos dois ou três anos esse mercado deve ser de três a quatro vezes maior do que o de PCs. Portanto é a chance do Brasil e da universidade produzirem tecnologia emergente, já que perdemos vários bondes tecnológicos devido à reserva de mercado e à falta de investimento em pesquisaâ€, ressalta.
Aplicação
Embora a Unesp vá sediar parte da Wireless Competence Network, a primeira rede de pesquisas tem tecnologias móveis do mundo, que também contará com a participação pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), ela não terá compromissos com a Intel.
“A empresa não exige nada em troca das doações. Poderíamos ter tentado os mesmos recursos em órgãos de fomento à pesquisa, mas assim fizemos economia com o sistemaâ€, explica o professor.
Em contrapartida, a universidade deverá continuar desenvolvendo tecnologia na aplicação de robótica educacional, que poderá ser utilizada em escolas públicas de ensino fundamental. Ainda dará continuidade às pesquisas na área de transmissão de imagens sem fio e assistindo aos trabalhos de ensino à distância já implementados pela instituição.
“Estamos definindo o foco do centro de pesquisas de Bauru. Mas nosso desejo é trabalhar com estes pontos. Para isso, já temos o compromisso de novos investimentos. Num segundo momento, as empresas de Bauru poderão utilizar o laboratório para testar e desenvolver tecnologiasâ€, conclui.
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‘Investimento em educação é missão’
O investimento em educação é uma missão perseguida pela Intel, que também busca a capacitação da indústria local. Quem garante é o gerente-geral da Intel Brasil, Paulo Cunha. Ele esteve ontem em Bauru participando da inauguração dos novos laboratórios da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
De acordo com Cunha, a empresa faz parte de uma cadeia produtiva e depende de engenheiros para prestar assistência às indústrias que se utilizam da tecnologia desenvolvida pela Intel. “Se não fizermos investimentos, não teremos profissionais no mercado. Temos até atuações dentro das fábricas. Recentemente trouxemos Phds para capacitar a indústria nacionalâ€, explica.
Uma outra missão da Intel destacada pelo gerente-geral é a de prover acesso à infra-estrutura de multimídias móveis. “O Brasil tem uma das maiores taxas de uso de celulares do mundo, além de uma vocação para o desenvolvimento de aplicações de software. Vamos aproveitar a tecnologia de geração e transmissão de dados 2,5 G e os ambientes wireless para investir nesta nova realidadeâ€, enfatiza.
Na opinião dele, as universidades têm mantido uma próxima relação com a iniciativa privada, o que facilita o desenvolvimento de pesquisas na área. A Unesp, por exemplo, tem se destacado neste segmento porque superou todas as expectativas da Intel, destaca Cunha.
“Nosso objetivo é preparar uma massa crítica capaz de movimentar o mercado mundial com novos aplicativos e dispositivos. Assim, vamos capacitar professores, oferecer estágios, material didático, software e bolsas de estudosâ€, finaliza.
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Primeiro do Brasil
Ontem, a Intel também doou à Faculdade de Ciências um laboratório pedagógico composto por 20 microcomputadores e um servidor de rede com o objetivo de viabilizar a implantação do Programa “Intel Educação para o Futuroâ€. Através dele, professores serão orientados a explorar as possibilidades que a tecnologia oferece para o processo de ensino.
A Unesp será a primeira faculdade do Brasil a implantar o programa, que será voltado aos futuros professores. Para tanto, também material didático para os alunos.
“Nós desenvolvemos um programa que visa ensinar o professor a integrar efetivamente a tecnologia em sala de aula. Não é um curso de informática. Queremos mostrar como um professor de português pode incorporar a tecnologia no plano de aulaâ€, explica o gerente de programas de Educação da Intel, Ruy Rodrigues de Castro.
De acordo com ele, existem duas versões do projeto. Uma para os profissionais que já estão atuando no mercado e outra dirigida aos alunos de licenciatura. Ambas foram adaptadas aos padrões curriculares brasileiros e passaram por avaliação do Ministério da Educação.
Em Bauru, 18 professores e 180 alunos já estão sendo capacitados a partir do projeto.