As escolas particulares de Bauru confirmaram a expectativa de reajuste de mensalidade em torno de 10% para o próximo ano. Há cerca de dois meses, a direção regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp) previu aumentos variando entre 8% e 12%. Mesmo assim, o diretor regional da entidade, Gérson Trevizani, afirma que os proprietários de escolas estão “apavoradosâ€.
O motivo seria a possibilidade de um alto reajuste de salário dos professores - definido em março - e a ameaça de uma inflação alta em 2003. “A grande despesa de escola é com a folha de pagamento e os impostos decorrentes. Vamos admitir que haja um reajuste salarial maior que 10%, e as escolas já começam a perderâ€, diz Trevizani. E observa: “Escola é o único serviço do Brasil que não pode reajustar o preço durante o ano.â€
O diretor do Sieeesp, entretanto, revela que a procura por vagas em escolas particulares está “normalâ€. “Hoje é uma guerra para disputar alunos. No Estado inteiro, têm escolas fechando, se associandoâ€, explica.
Trevizani também acredita que a diminuição do número de filhos por família nas duas últimas décadas possibilita aos pais investir mais em educação. “Conforme diminui o número de filhos, como vem acontecendo, pode-se dar uma educação melhor para eles. Nas séries iniciais das escolas particulares está aumentando o número de alunosâ€, afirma.
Segundo a proprietária de uma escola de ensino infantil e fundamental, Marli Pertinhes Ranieri, o aumento nas mensalidades se deve mesmo à folha de pagamento. “Nós aumentamos exatamente 10%. Foi só uma correção de valores, porque agora vem o reajuste dos professores. Se não reajustamos as mensalidades, não temos condição de reajustar a folha de pagamentoâ€, diz.
Segundo Marli, o reajuste foi linear, do maternal à 4ª série, e os pais aceitaram a elevação com “tranqüilidadeâ€. “A gente apresenta o porquê do aumento e fala que haverá o reajuste dos professores no início do anoâ€, explica. E completa: “Dos alunos da escola, quase 100% já estão rematriculados.â€
Num curso colegial ligado a uma universidade de Bauru, os pais de alunos tiveram uma boa surpresa ao conhecer os valores da mensalidade para o próximo ano. O custo de 12 parcelas de R$ 398,00 por ano caiu para 13 parcelas de R$ 320,00 para o 1.º colegial e R$ 340,00 para o 2.º e 3.º colegiais. Ao final do ano, a redução será de R$ 616,00 e R$ 356,00, respectivamente.
De acordo com o diretor do colégio, Darvino Concer, após várias reuniões e da realização de uma auditoria foi possível obter diminuição de despesas. “Estamos fazendo adequação às reais necessidades da escola e também ao momento financeiro dos paisâ€, afirma.
Concer relata que, há dez anos, o instituto ao qual o curso é ligado concedeu um empréstimo para a construção do prédio do colegial, que foi quitado neste ano. “Conseguimos diminuir custos em função do empréstimo que acabamos de pagar, e agora tivemos uma mensalidade reajustada deflacionariamenteâ€, explica o diretor. E finaliza: “Em tempos de crise, temos de ter consciência e criatividade.â€
____________________
Desconto
A executiva de negócios Vera Rigoni diz que a escola onde sua filha foi matriculada na 1.ª série do ensino fundamental estava concedendo desconto de cerca de 19% na matrícula se efetuada até o dia 15 de outubro. Segundo ela, o desconto também é oferecido na mensalidade - que teve acréscimo de também 19%.
“Como eu e meu marido trabalhamos, foi possível mantê-la (a filha) estudando inglês e fazendo aulas de baléâ€, conta Vera. De acordo com ela, o desconto para matrículas até determinada data também é concedido na escola de balé. “Essa tática das escolas de darem desconto nas mensalidades e matrículas pagas até o dia ‘x’ é uma boa saída para termos uma folga no orçamentoâ€, afirma.