A Caixa Econômica Federal (CEF) pretende mudar algumas regras das operações de penhor de jóias a partir do ano que vem. A principal delas seria a possibilidade de renovar ou liquidar o empréstimo em qualquer uma das cerca de duas mil agências do banco no País - atualmente, isso é possível apenas nas 307 unidades da Caixa que operam empréstimos via penhor.
“São projetos para 2003 e existem boas chances deles serem implementados, até porque são questões boas para as operações e boas para o público em geral. A idéia nossa é implementarâ€, afirma o gerente nacional de empréstimo para pessoa física, Jonildo César de Paula Carvalho. Segundo ele, ainda não há previsão sobre o mês em que as mudanças seriam efetuadas, pois envolvem alterações no sistema operacional da Caixa.
Na opinião de Carvalho, os clientes seriam os maiores beneficiados com a mudança. Na agência da CEF que faz penhor em Bauru, por exemplo, muitos clientes vêm de cidades da região. “A idéia principal é facilitar para o público. O cliente pode ter uma agência próxima à casa dele, que não tem penhor, mas que pode renovar a operação ali mesmoâ€, observa.
Outra mudança prevista é a criação de um guarda-jóias nas agências onde há penhor. Atualmente, como não há essa opção, muitas pessoas usam a operação de penhor como forma de guardar as jóias em local seguro. “Essas pessoas pegam o empréstimo mínimo, que é de 10% do valor da avaliação, e pagam os juros sobre aquilo. Na realidade, é apenas um artifício para guardar a jóia, porque a pessoa não queria o empréstimoâ€, diz Carvalho.
A partir da implementação desse novo serviço o cliente teria a opção somente da guarda, o que sairia mais barato, pois deixaria de pagar os encargos de uma operação de empréstimo pessoal. Paralelamente, ressalta Carvalho, o banco poderia abrir uma linha de crédito em que só se pagaria os juros se a pessoa necessitasse de um empréstimo.
Com as mudanças, a Caixa pretende impulsionar uma modalidade de empréstimo pessoal que está em franca ascensão. O chamado “prego†é efetuado sem burocracia e pode ser concedido mesmo a pessoas com o nome negativado no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). “Além da facilidade do crédito, a taxa é bem inferior comparativamente às operações de empréstimo pessoalâ€, diz Carvalho.
A média histórica de crescimento do volume de empréstimos é de 6% a 8% por ano. Neste ano, no entanto, o crescimento foi cerca de 20% superior ao do ano passado. Em 2001, a carteira de penhor da Caixa fechou com saldo de R$ 433 milhões. Se computados os empréstimos até novembro deste ano, o volume chega a R$ 522 milhões.
Até o mês passado, a CEF havia fechado 1,4 milhão de contratos de penhor, a uma média de R$ 368,00 cada. “Isso demonstra uma pulverização muito grande do créditoâ€, diz Carvalho, ressaltando que um dos “efeitos colaterais†deste processo é o aumento de capital de giro na praça. “Há muitas pessoas que tomam crédito de penhor e que são profissionais liberais ou têm negócios próprios.â€
Por outro lado, o crescimento maior do volume de empréstimos - calculado em reais - pode ser atribuído em grande parte à alta na cotação do ouro no decorrer deste ano. “O volume de empréstimos aumentou mais do que a quantidade, porque o maior ativo que nós temos é o ouro, cujo valor cresceu muito neste anoâ€, afirma o gerente de empréstimo.
Os números sobre as operações de penhor em Bauru não são revelados por “medida de segurançaâ€. Mas Carvalho afirma que, de uma forma geral, a variação é proporcional em todo o País.
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Como fazer
Para realizar empréstimo através de penhor, basta ter as jóias e os documentos pessoais. A Caixa libera recursos equivalentes a 80% do valor da jóia avaliada, e a taxa de juros é dividida em duas faixas: a primeira, de 2,95%, é aplicada para quem empresta até R$ 300,00. Acima desse valor, na segunda faixa, os juros ficam em 3,5%.
Os empréstimos são concedidos com prazos de pagamento de 28, 56 ou 84 dias. Não há limite para renovações, desde que as parcelas sejam pagas em dia. O valor mínimo emprestado é R$ 50,00 ou 10% do valor de avaliação da jóia - o que for maior.