Está completando um ano, com bons resultados, o programa do leite implantado pelo Sebrae/Bauru nos municípios de Reginópolis, Iacanga e Borebi, junto aos pequenos produtores de leite. O objetivo do projeto é o desenvolvimento do agronegócio regional por meio de mudanças na organização, gerenciamento e tecnologia da cadeia produtiva do leite, sendo que a principal ênfase está na comercialização.
A pecuária de leite na região de Bauru é uma importante atividade econômica e se constitui basicamente de pequenos produtores, que trabalham de forma artesanal. A portaria de número 56 do Ministério da Agricultura e o Programa Nacional de Qualidade do Leite prevêem algumas mudanças nas formas de comercialização e distribuição do leite C.
De acordo com a coordenadora do programa do leite, Sílvia Alzira Furio, para auxiliar os produtores foi criado o Programa Integrado para Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite.
Na prática, o programa auxilia o pequeno produtor na melhoria da qualidade do seu leite, através da sanidade do rebanho, manejo rotacionado de pastagens, cursos de gestão e apoio na comercialização.
Colhendo frutos
Em duas propriedades piloto de Iacanga e Reginópolis, os produtores começam a colher os frutos do trabalho. Em Iacanga, o produtor rural Benedito Silva, da chácara Três Irmãs, aumentou sua produção de 70 para 180 litros ao dia e já utiliza a ordenha mecânica.
“Antes eu cortava a cana para o gado todos os dias e dava suplemento com cevada. Agora, com o pasto rotacionado, o gado tem alimento de qualidade e em quantidade para garantir o período de lactação das vacasâ€, afirma.
Para Márcio Veloso, do Sítio Água do Barreiro, de Reginópolis, as mudanças começaram com uma nova mentalidade. “Agora a cabeça da gente já mudou, sabemos que é possível ter uma rentabilidade maior. Antes, a gente não tinha vontade de continuar na atividade; agora está tudo diferenteâ€, garante.
Veloso ainda utiliza a ordenha manual nas vacas, mas já está pensando na ordenhadeira mecânica e, antes do fim do ano, as vacas já começam a entrar na nova pastagem de mombaça, que foi plantada visando o sistema rotacionado.
O programa foi implantado em novembro de 2001, através do Sistema Agroindustrial Integrado (SAI), pelo Programa Setorial de Desenvolvimento Local do Sebrae/SP.
A parceria também envolve a Embrapa, IEA, Cati e prefeituras, que oferecem todo o subsídio técnico aos produtores, com acompanhamento e adequação das técnicas aplicadas à disponibilidade orçamentária do produtor.
Opções
Através do trabalho do SAI, foi apurado que a agricultura familiar encontrava dificuldades com poucas opções de venda, alto custo de produção, falta de tecnologia, falta de qualidade para o produto e nenhuma motivação para continuar na atividade.
“Através do SAI, os produtores recebem treinamentos, orientações técnicas e cursos que vão auxiliá-lo em todo o processo, da produção à comercialização, melhorando assim o seu nível de rendaâ€, explica Roberto Janeiro Filho, coordenador do SAI - Bauru.
Através do apoio e integração de todos os parceiros do projeto, hoje os produtores já estão organizados em associações e contam com um aprendizado extra, através de oficinas técnicas, cursos e visitas.
De acordo com o técnico de Embrapa, Arthur Chinelato, que dá assistência aos produtores, não importa o tempo que leve, o importante é que o produtor recupere sua auto-estima e queira continuar na atividade. “Para cada produtor há algumas metas a serem alcançadas. Não importa o tempo para que isso ocorra, importa que ele esteja disposto a esperar os resultadosâ€, diz.
Outra parceria fundamental para o bom desempenho do projeto é da Prefeitura Municipal, uma vez que a atividade está intimamente ligada ao cotidiano das cidades. De acordo com a prefeita de Reginópolis, Carolina de Souza Araújo Veríssimo, os benefícios para o município são muitos.
“Ao estimular a atividade agrícola, estamos criando uma possibilidade de vida melhor para o homem do campo e sua produção se reflete na economia da cidadeâ€, afirma.
Atualmente, a prefeitura de Reginópolis compra parte da produção de leite desses pequenos produtores, que é distribuído para famílias carentes da cidade.
Outros produtores vendem o leite para laticínios da região, o que constata a integração da cadeia produtiva do leite.
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Sala de aula
Outra meta importante do projeto é que as propriedades piloto sirvam de sala de aula para outros produtores. Na última quarta-feira, cerca de 80 produtores rurais das regiões de Atibaia e Bragança Paulista estiveram visitando o projeto para trocar experiências com os produtores locais.
“Essa integração é necessária para que o produtor identifique suas dificuldades e perceba que as soluções são possíveisâ€, explica o coordenador do Sistema Agroindustrial Integrado (SAI), Roberto Janeiro Filho.
O produtor Cícero Ovídio Truzzi, de Monte Alegre do Sul, diz que a viagem de 600 quilômetros para participar do encontro da última quarta-feira valeu a pena. “Esse projeto vem exatamente de encontro ao que eu preciso em minha propriedade. O sistema rotacionado de pastagem é ideal para acabar com o corte de cana e capim para o gado†ressalta.
Atualmente, sua produção é toda comprada por um hotel de turismo rural. Além do leite, Truzzi comercializa queijo e manteiga. Seu objetivo é ampliar essa produção, aumentando a rentabilidade para garantir a continuidade do trabalho.
“Estou há 30 anos na pecuária leiteira e gosto muito dessa atividade, mas nunca foi um setor estável ou rentável. Agora estou vendo que existem soluções, que podemos permanecer na atividadeâ€, comemora.
Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas no Sebrae/SP - Escritório Regional de Bauru, pelo telefone (14) 234-1499.