Bairros

AHB será referência para tratar idoso

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O Ministério da Saúde credenciou a Associação Hospital de Bauru (AHB) e mais cinco hospitais do Estado de São Paulo para instalarem centros de referência no tratamento do idoso e de portadores do Mal de Alzheimer. Além de atendimento médico, os pacientes receberão remédios na rede pública aprovados para o tratamento.

Até agora, de acordo com a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, estavam credenciados como centros de referência no tratamento de idosos apenas o Hospital São Paulo, o Hospital das Clínicas e a Santa Casa de São Paulo, na Capital, e o Hospital Santa Tereza, em Ribeirão Preto.

A AHB pretende implantar o centro de referência no Hospital Manoel de Abreu, que dispõe de área física. A proposta, segundo Luiz Alberto Garla, diretor do Manoel de Abreu, é construir um hospital-dia para idosos e oferecer também serviços de terapia ocupacional e fisioterapia.

Ele explica que a implantação do centro de referência depende de espaço e contratação de funcionários. “Temos algumas pendências porque precisamos de área física, para atender as normas do Ministério da Saúde. O projeto que fizemos é para atendimentos complexos em várias áreas, inclusive com um hospital-dia, com 40 leitos”, explica.

O projeto também prevê atendimento domiciliar ao idoso e portador do Mal de Alzheimer. Estão incluídos no programa os medicamentos aprovados para o tratamento, que têm como princípio ativo a rivastigmina, a galantamina e o donepezil.

Apesar do centro de referência ainda não estar funcionando, os portadores do Mal de Alzheimer já podem retirar os remédios de graça na Direção Regional de Saúde (DIR-10), segundo Affonso Viviani Júnior, diretor técnico do órgão. “A distribuição está sendo feita pelo Ambulatório de Especialidades da DIR”, diz.

De acordo com o Ministério da Saúde, entre os medicamentos aprovados para o tratamento do Alzheimer, o mais usado no Brasil é o que tem como princípio ativo a rivastigmina, pesquisado e desenvolvido pela Novartis e comercializado como Exelon. A substância melhora e preserva a capacidade mental do paciente por mais tempo.

Viviani ressalta que a proposta é que o centro de referência no tratamento de idoso atenda também a região. “Queremos que seja um centro de referência não só para as unidades de saúde de Bauru que já atendem os idosos, mas também das regiões. Deve concentrar todos os procedimentos mais complexos na área de geriatria”, frisa.

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Antiga reivindicação

Um centro de referência para tratamento do idoso em Bauru, assim como a distribuição de remédios pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é uma antiga reivindicação da Associação dos Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer (Afada). Ester Junqueira, presidente da entidade, acredita que o centro ajudará os portadores da doença a ter uma vida mais digna.

“Graças a Deus vamos ter um centro de referência. É uma forma do doente ter melhor qualidade de vida e o cuidador também”, frisa. Para ela, a distribuição gratuita de remédios já é um avanço. “Estamos inclusive enviando pacientes para pesquisa para saber se o remédio beneficia no tratamento. É preciso analisar o estado mental, o raciocínio lógico-matemático, a linguagem, entre outros itens”, explica.

O Mal de Alzheimer é uma doença progressiva e sem cura, que leva o paciente a perder os neurônios. Os remédios, de acordo com Ester, são muito caros. “Muitas famílias não têm condições de arcar com essa despesa todo mês”, conta.

Além de medicamentos, em estágios mais avançados, os doentes precisam usar fraldas porque não conseguem regular as necessidades fisiológicas. Para tentar reduzir o impacto financeiro das famílias, a Afada está colocando em funcionamento uma pequena fábrica de fraldas geriátricas. “Depois da máquina, agora conseguimos o material para começar a fabricá-las”, conta.

A estimativa da direção da Afada é que em Bauru existam cerca de 5 mil portadores do Mal de Alzheimer. A entidade, que oferece palestras e orientações aos cuidadores tem 400 sócios.

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