Política

Oposição tenta atrair Majô Jandreice

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

A vereadora Majô Jandreice (PC do B) anunciou ontem seu afastamento do grupo dos 11 - bloco de vereadores que tenta viabilizar um nome de consenso à disputa da presidência da Câmara Municipal, cuja eleição será realizada amanhã, a partir das 9h. Mas garante que manterá sua candidatura até o fim.

Pelas leis da física e pela lógica político-ideológica, a decisão da parlamentar propiciou uma reaproximação com o grupo oposicionista, do qual Majô sempre fez parte e que tem como candidatos à presidência o vereador José Carlos Batata (PT), José Humberto Santana (PV) e João Parreira de Miranda (PSDB). O problema é que ela não abre mão da candidatura.

Na sessão extraordinária de ontem, Batata e a vereadora conversaram discretamente por vários minutos sobre a eleição de amanhã. Nenhum dos dois, porém, fala dos possíveis acordos que podem estar sendo amarrados para viabilizar uma candidatura de consenso no bloco.

A parlamentar do PC do B deu uma resposta evasiva ao ser questionada sobre os motivos que a levaram a afastar-se do grupo dos 11. “Me afastei para não haver disputa interna”, disse, sem dar mais detalhes.

As circunstâncias do quadro político, no entanto, mostram que Majô distanciou-se do bloco porque percebeu que na prévia interna não conseguiria vencer seu adversário, o vereador Renato Purini (PV), também candidato à presidência do Poder Legislativo. O verde já tinha oito votos computados a seu favor.

Um vereador, que prefere não se identificar, vai mais longe. Para ele, a comunista se afastou do grupo dos 11 porque o quadro de denúncias de irregularidades contra o grupo hegemônico da Câmara está ficando insuportável.

O grupo foi o responsável pela eleição de Walter Costa (PPS) e Roberto Bueno (PTB) à presidência e à vice do Legislativo, respectivamente, em janeiro de 2001. “E ficar colocado a esse bloco pode significar o continuísmo de tudo que está aí”, alfineta o vereador, que se coloca entre os não-alinhados.

A inesperada saída da comunista do grupo dos 11 deixa o bloco predominante em situação de risco. A “dissidência” rebaixa para dez o número de parlamentares que integra o grupo.

Passa a ficar numa situação política confortável o vereador Faria Neto (PDT), que corre por fora no páreo da sucessão. O pedetista poderá ser assediado tanto pelo bloco da oposição como pelo da situação. Faria poderá ser a grande surpresa da eleição de amanhã. Se não conseguir a presidência, pode figurar em um dos cargos da Mesa.

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