Uma viagem que teria sido feita em abril do ano passado por quatro servidores da Câmara Municipal vai ser investigada pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras.
O pedido, assinado pelos vereadores José Clemente Rezende (PSB) e Milton Dota Jr. (PTB), foi protocolado na reunião de ontem da comissão de investigação.
Segundo eles, participaram da viagem - com destino a Ourinhos e a Regente Feijó - um assessor de obras, um câmera da TV Câmara (cujos nomes não foram identificados), um motorista (conhecido por Castanheira), e o assessor da presidência do Poder Legislativo, Antonio Moreira.
Coincidentemente, Moreira acompanhava a reunião da CEI da galeria da Câmara quando seu nome foi citado na leitura do documento. Sua reação diante do fato surpreendeu a todos. “Eu nem sei onde fica Regente Feijóâ€, disse, com voz de surpresa.
A viagem teria sido realizada, segundo justificativa, com o objetivo de “buscar subsídios de projetosâ€. “Não há esclarecimentos de que tipos de projetos e nem fica claro que a Câmara de Ourinhos tenha subsídios a oferecer na área de TV. Por que o assessor de obras e o assessor Antonio Moreira presentes?â€, questionam os vereadores.
Os parlamentares também desejam saber por que a viagem demorou dois dias para uma cidade que localiza-se a 100 quilômetros de Bauru.
O documento segue relatando que os quatro servidores teriam se servido de refeições em Ourinhos e, “inexplicavelmenteâ€, rumaram para Regente Feijó - a 150 quilômetros de distância -, município localizado na região de Presidente Prudente.
Clemente e Dota Jr. afirmam que a viagem custou aos cofres públicos R$ 610,10. Os parlamentares ainda citam uma outra viagem, desta vez em março deste ano, na qual o presidente da Câmara, Walter Costa (PPS), acompanhado do chefe de Gabinete e do chefe do setor de material (nomes não divulgados), também visitaram Regente Feijó.
“Que fascínio e que subsídios têm essa cidade para nos oferecer?â€, perguntam com uma pitada de ironia. Para os vereadores, há indícios de que os documentos fiscais foram manipulados para gerar despesas.
O atual assessor técnico de obras da Câmara Municipal, Marcelo Souza Lima, informou que ainda não havia sido contratado pela Casa em abril do ano passado. “Minha admissão na Câmara data de 19 de novembro de 2001â€, explica.
Já o presidente do Poder Legislativo, Walter Costa, disse que ainda não havia tomado conhecimento da denúncia, o que vai fazer somente na segunda-feira.