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À prova de pepinos

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Não há como escapar em todo final de ano daqueles gastos obrigatórios típicos das datas comemorativas. É a hora em que o 13.º salário entra em ação para bancar gastos com os presentes de Natal, as festas do réveillon e as tradicionais viagens.

E estas, por mais que se queira evitar, também provocam despesas, principalmente com os veículos. Nesse momento, mais do que pensar nos custos de uma revisão periódica, é preciso levar em conta a segurança para a viagem, o que só pode ser conseguido se a manutenção do automóvel estiver em dia.

Para facilitar a revisão, o ideal é fazer uma lista dos principais itens a serem verificados, como os pneus, freios, suspensão, motor, sistemas elétrico, de ignição e arrefecimento, limpador de pára-brisa, luzes, bateria e cinto de segurança. Alguns itens podem ser analisados pelo próprio motorista, como triângulo de sinalização, chaves de roda, macaco, estepe e o estado e validade do extintor.

Entretanto, o ideal é “internar” o carro em uma oficina de confiança. O mecânico bauruense Jéferson Donizeti Bortoloti, um dos proprietários do Centro Automotivo Tecnoauto, recomenda efetuar manutenção nos veículos a cada 20 mil quilômetros. “Geralmente, essa é a época que exige a troca de várias peças, como velas e pastilhas de freio”, destaca.

E é justamente por este último sistema que Jéferson considera item prioritário para revisão. “Pastilhas e lonas que causam ruído acima do normal demonstram sinais de desgaste e podem estar riscando os discos ou os tambores de freio”, alerta ele.

Um indício de problema no sistema, acrescenta Paulo Henrique, mecânico da mesma oficina, é o aumento acentuado das distâncias de frenagens. “Por isso, o nível do fluido de freio também deve ser verificado e, se necessário, trocado para evitar a formação de bolhas. O ideal é que isso seja feito pelo menos uma vez por ano”, ensina.

A suspensão é outro equipamento lembrado pelos mecânicos, que destacam a necessidade de analisar o estado de buchas, molas, amortecedores e o terminal de direção. As molas duram cerca de 60 mil quilômetros e não devem apresentar desgaste entre os elos. Em caso positivo, isso significa que o amortecedor correspondente está gasto.

Uma solução caseira para saber se está na hora de aposentá-lo é pressionar cada canto do carro para baixo. Se a carroceria balançar mais de duas vezes é sinal que o daquele lado está ruim. “Eles devem ser substituídos aos pares e, após a troca, o veículo deve ser alinhado e balanceado”, enfatiza Paulo Henrique.

Motores

Nos motores, conforme os mecânicos, há uma infinidade de itens a serem checados, mas os mais importantes diferenciam-se entre os injetados e carburados. Nos primeiros, vale a pena verificar o filtro de combustível, filtro do óleo e de ar, pressão da bomba de combustível, velas e cabos, correias, o nível do óleo do câmbio e todo o sistema de injeção eletrônica.

Já nos dotados de carburador este é o que merece maior atenção. O mais recomendado é efetuar uma limpeza completa no equipamento, que contribuirá para melhorar o rendimento e o consumo do veículo. “Além disso, é essencial analisar os filtros, o nível do óleo e o sistema de ignição”, complementa Jéferson.

Pneus

Equipamento fundamental à segurança veicular, os pneus também merecem “carinho” especial dos motoristas. Além de efetuar o rodízio a cada 10 mil quilômetros, devem ser calibrados semanalmente e sempre que se começa a rodar.

A explicação é simples, conforme Paulo Henrique. “Quando o carro está em movimento, o atrito da roda com o piso aquece os pneus. Isso aumenta o volume interno de ar e faz com que a pressão se eleve. Qualquer calibragem nessas condições vai apontar uma medição alterada”, enfatiza ele. E acrescenta: “Por isso, o ideal é que a calibragem seja feita antes de se rodar, no máximo, cinco quilômetros.”

Além disso, o mais importante antes de uma viagem é checar os sulcos nos pneus. Desenhados para escoar a água em contato com a banda de rodagem, devem manter uma profundidade mínima de 1,6 milímetros. Abaixo dessa medida, conta Paulo Henrique, passam a perder a aderência. “Andar com pneus nessas condições é correr o risco de sofrer um acidente sério”, frisa.

E é fácil saber quando eles não estão mais em condições de uso. Muitos modelos possuem indicador de desgaste, normalmente uma marca gravada entre os sulcos. “Quando estes estiverem na altura indicada pelo limitador, é hora de substituir os pneus”, ressalta Paulo Henrique.

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Cinto, luzes, bateria e paletas

Há equipamentos que, apesar de relegados ao esquecimento dos motoristas, exigem manutenção. O cinto de segurança é um deles e de mais fácil conservação. Para isso, basta lubrificar o ponto onde são fixados com óleo em spray em períodos regulares, pelo menos a cada três meses.

O sistema de iluminação também é importante para viajar com segurança, principalmente para garantir boa visibilidade à noite. “Às vezes, em razão de uma luz de lanterna quebrada, que não custa nem R$ 1,00, o condutor pode ser multado em um valor muito maior que esse”, lembra o mecânico Paulo Henrique.

A bateria é outro item pouco lembrado pelos proprietários de automóveis. Naquelas não seladas, o recomendável é verificar o líquido mensalmente e completar, se necessário, sempre com água destilada. “Nunca se deve adicionar água de torneira, pois contém cloro que pode comprometer sua vida útil”, salienta Jéferson.

Outro cuidado é evitar a oxidação, denominada de zinabre, nos cabos e terminais da bateria. Para isso, uma solução prática e econômica é lubrificá-los com vaselina.

Por fim, o motorista deve ficar atento ao estado dos limpadores de pára-brisa e dos esguichadores de água. Para evitar que estes entupam, uma boa medida é adicionar detergente neutro no reservatório. Já as palhetas devem ser substituídas caso estejam rachadas ou desgastadas. “Tem gente que lembra delas só quando começa a chuva na estrada”, considera Jéferson.

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