Saúde

Melhor resultado é manter a naturalidade

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Profissionais ouvidos pelo JC Saúde afirmam que o melhor resultado de uma cirurgia plástica é a naturalidade. Segundo eles, os próprios pacientes já pensam assim e chegam ao consultório pedindo que a correção seja o mais sutil e discreta possível.

â€œÉ gratificante notar uma mudança significativa no objetivo das cirurgias. Hoje, o paciente está operando, cada vez mais, para seu próprio bem-estar. A mulher quer ficar mais bonita e o homem mais atraente para si mesmos e não para os outros”, comemora o cirurgião Bashir Mussa Gazi.

“Hoje, não se fazem mais cirurgias do tipo Elza Soares, que deixam o rosto todo esticado. As pessoas estão mais esclarecidas. Recebo pacientes de toda a região e a maioria pede para não mudar muito. Elas pedem para rejuvenescer sem perder as feições naturais. Este é o resultado de um procedimento bem-feito e este deve ser o objetivo da cirurgia plástica”, comenta o médico Valter Luiz Curvêllo.

Questionados sobre pacientes que chegam pedindo um nariz igual ao da atriz de Hollywood ou a boca “daquele” cantor famoso, os cirurgiões afirmam que é dever do profissional salientar a beleza natural da pessoa e apontar o que pode ser melhorado sem alterações severas.

A cirurgiã Telma Vidotto de Sousa lembra que artistas considerados modelos de beleza são pessoas que vivem do próprio corpo. “A Demi Moore, para fazer o filme ‘Striptease’ fez um programa intensivo de seis horas de malhação por dia. Não podemos ter a ilusão de que seremos iguais àqueles que vivem de uvas e alface. A maioria da população trabalha sentada, come doces, bebe cerveja, não dá para comparar”, ressalta.

A médica salienta que as pessoas precisam buscar a felicidade e viver com intensidade todos os momentos da vida. “Se a medicina oferece recursos para melhorar minha aparência, vou usá-los. Mas pensar que vou ser mais feliz através da plástica, este não é o melhor caminho. A cirurgia não pode ser uma muleta para se viver bem. As pessoas devem se cuidar, mas para serem bonitas na idade que têm”, reforça.

Ela cita o exemplo de mulheres de 50 anos que se vestem como jovens de 20 anos para sentirem-se mais jovens. Para a médica, a pessoa pode até se sentir melhor, mas está caindo no ridículo perante a sociedade.

â€œÉ preciso ser jovem espiritualmente. Até porque, não é só a beleza física que atrai. Se fosse assim, os gordinhos não teriam namorados. Marília Gabriela, por exemplo, não é linda, mas tem um namorado de dar inveja (Reinaldo Gianechinni). Com certeza, porque ela tem um lado espiritual que faz bem a ele”, observa.

Outro exemplo em que a cirurgia plástica foi usada sem critérios é o do cantor Michael Jackson. Ele modificou praticamente toda a sua estrutura facial. Deixou o maxilar quadrado, com um sulco no queixo, alterou o formato das sobrancelhas, alisou os cabelos, fez maquiagem definitiva e realizou várias cirurgias para mudar o formato do nariz.

O resultado é uma aberração que choca o mundo todo. “Ele é o pior exemplo de cirurgia plástica, ele faz contrapropaganda da cirurgia”, destaca Curvêllo. “Ele manipulou a mesma região do rosto várias vezes e comprometeu a qualidade da cicatrização. Sofreu reabsorções ósseas e tornou-se uma aberração”, completa Sousa.

Valor emocional

Para a médica Telma Sousa, a medicina evoluiu muito nas últimas décadas e ofereceu novos caminhos para auxiliar o ser humano a ter saúde e beleza. “Mas ainda falta dar mais valor ao lado emocional das pessoas. O profissional precisa ter uma visão holística do paciente”, defende.

Ela comenta que uma pessoa linda pode se achar feia. Algumas pessoas são internamente insatisfeitas e passam a vida procurando defeitos em si mesmas. São pacientes que não vão gostar do resultado de uma cirurgia, por melhor que ele seja.

“Um profissional muito competente de Bauru operou uma senhora de descendência árabe que não gostava do formato do nariz. A cirurgia ficou perfeita, o nariz ficou ótimo, mas ela não se reconhecia mais, teve uma crise de auto-imagem e o médico teve que devolver o formato natural ao nariz dela”, conta.

Sousa defende que é um desajuste emocional que leva o cantor Michael Jackson a promover tantas transformações no próprio corpo. Na opinião dela, a necessidade de tamanha transformação tem origem nos problemas de relacionamento que o cantor enfrentou em família quando criança.

“Ele fez inúmeras cirurgias para se transformar, mas nenhuma delas pôde tirar o problema emocional dele. Ele tem dinheiro para tudo, mas não pode mudar seu passado. Eu acredito que beleza é um estado de espírito. Tem gente que tem duas roupas e é muito feliz. Tem gente que tem tudo, mas precisa ter cada vez mais, porque não consegue se satisfazer nunca”, lamenta.

A médica ressalta que os médicos precisam aprender a ouvir mais seus pacientes e buscar o real motivo que os leva ao consultório. Depois de ouvir, pedir exames e fazer um bom diagnóstico físico e emocional, o profissional deve tirar todas as dúvidas do cliente, relacionar todas as possibilidades de tratamento que ele tem, apontar os possíveis resultados e os eventuais riscos.

Para o paciente, a orientação dos especialistas é buscar por bons profissionais. Ouvir outras opiniões quando julgar necessário, conversar com ex-pacientes do médico e até recorrer à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (www.sbpc.org.br) para obter referências do profissional.

“As pessoas não devem tomar nenhuma decisão importante quando estão depressivas, ansiosas ou agoniadas. Só quando estão muito bem. Além disso, elas devem buscar a beleza nelas mesmas. Melhorar o que for possível, mas sem querer se transformar em outra pessoa. O ser humano não é Deus e há limites para a cirurgia plástica”, encerra Sousa.

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