Regional

Criado refúgio para aves em P. Alves

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Presidente Alves - Pássaros que tornaram-se vítimas da caça predatória ganharam esta semana um importante refúgio, em Presidente Alves. Graças a uma lei federal, parte da fazenda Monte Belo, foi transformada em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

Na prática, isso significa que o local foi transformado em uma espécie de paraíso ecológico para animais silvestres. Ou seja, a área passa a ser protegida contra a caça e pesca ilegais.

Além de preservar os animais que já vivem na fazenda, o local servirá ainda para abrigar espécies apreendidas pela Polícia Ambiental.

Depois de um trabalho de reabilitação e triagem feito pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), os animais são devolvidos ao seu habitat natural.

Na última semana, cerca de 50 pássaros foram soltos na fazenda Monte Belo, como parte da cerimônia de oficialização da reserva.

Entre as espécies levadas pelo Ibama a Presidente Alves, estavam pintassilgos, azulões e canários.

Um grupo de aproximadamente 40 crianças da escola estadual Iracema de Castro Amarante, do Jardim Bela Vista, em Bauru, acompanharam a soltura.

A idéia de levar crianças para participar do cerimonial foi do proprietário da fazenda, Fernando José Ramos Borges.

De acordo com ele, a decisão teve como objetivo principal despertar nos alunos a preocupação com a preservação do meio ambiente.

Para o ano que vem, Borges está preparando uma programação voltada exclusivamente à educação ambiental e preservacionista.

O alvo, segundo o fazendeiro, são alunos de escolas da rede pública de ensino. Na opinião dele, trata-se de um “público carente desse tipo de informação”.

A exemplo de outros proprietários de terra, que tiveram parte de suas fazendas transformadas em RPPN, Borges quer explorar a área de reserva natural como um espaço para o ecoturismo.

A cerimônia de devolução dos pássaros à natureza, feita na semana passada, foi uma “experiência embrionária”, segundo informou Borges.

Parcerias com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e com as secretarias estaduais de Educação e do Meio Ambiente estão nos planos do fazendeiro.

A criação de uma Organização Não Governamental (ONG), voltada para a preservação do meio ambiente, também faz parte da estratégia de Borges para defender a fauna e a flora da região.

Em segurança

A fazenda Monte Belo é monitorada por comunicação via rádio. Funcionários trocam informação entre si com facilidade e isso, na opinião de Borges, ajuda a preservar a área da presença de caçadores.

Além de ser considerado pelo Ibama um local ideal para a libertação de animais silvestres - vítimas da caça predatória -, a fazenda serve de moradia para espécies em extinção, como o macaco-prego e o lobo-guará, segundo informou o proprietário.

A área de reserva natural tem 52 hectares de mata nativa e, em seu interior, existem pequenas cachoeiras, pelas quais passam o rio Feio ou Aguapeí, que nasce próximo a Gália e deságua no rio Paraná, na divisa com o Estado do Mato Grosso do Sul.

Reservas, como a da fazenda Monte Belo, estão espalhadas pelo Brasil todo. Segundo a chefe do escritório regional do Ibama, em Bauru, Lélia Lourenço Pinto, só na região existem cerca de dez reservas naturais, que se enquadram como RPPN.

Segundo ela, antes de serem soltos nessas reservas, os animais passam por uma cuidadosa triagem, norteada por critérios técnicos.

Espécies doentes ou de predadores ficam fora desse grupo. A iniciativa, segundo frisou Lélia, visa garantir a manutenção do equilíbrio ecológico da área.

O que é RPPN

As Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs) existem desde 1990. Elas foram instituídas por decreto, e têm como objetivo estimular os proprietários de terra a somar esforços na conservação da diversidade biológica brasileira.

A legislação em vigor (decreto nº 1.922) foi publicada em 1996. Por tratar basicamente do mesmo assunto, ela revogou o decreto anterior, de 1990.

Uma vez reconhecida pelo poder público, a área passa a receber atenção especial dos órgãos ligados ao meio ambiente, instituições de pesquisa e entidades ambientalistas.

Além disso, recebe isenção de pagamento do Imposto Territorial Rural (ITR) e ainda pode desenvolver atividades ligadas ao turismo ecológico, lazer e educação ambiental.

Maior facilidade de acesso ao crédito agrícola, nos bancos oficiais, e proteção contra queimadas, caça e desmatamento, também são outras vantagens obtidas pelas RPPNs.

Para obter o reconhecimento, a área deve reunir condições que justifiquem ações de recuperação ambiental capazes de promover a conservação de ecossistemas frágeis e ameaçados.

Não existe limite de tamanho para uma RPPN. A menor, segundo o Ibama, tem um hectare e a maior chega aos 104 mil. A propriedade pode ser reconhecida em sua totalidade ou apenas em partes.

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