A conhecida “feira do rolo†foi fiscalizada ontem de manhã durante uma operação conjunta entre Polícia Civil e Polícia Militar (PM). Foram apreendidos objetos sem nota fiscal em 18 pontos de venda instalados no local. A operação começou às 9h, horário de abertura da feira, e se estendeu até as 12h, impedindo as vendas. Alguns casos de compra de armas foram vinculados à feira, o que motivou a polícia a fazer a fiscalização.
As polícias Militar e Civil fizeram várias autuações no local. Se ficar comprovado que os objetos são provenientes de furto ou roubo, os portadores dos mesmos responderão a inquérito policial por receptação, segundo afirmou o titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra) e grupo anti-seqüestro de Bauru, J.J. Cardia.
Entre os materiais retidos para verificação estão: aparelhos de televisão, rádios, cigarros, CDs e hidrômetros. Somente neste mês, cerca de 30 hidrômetros foram furtados, de acordo com o delegado Cardia. “O objetivo da operação é moralizar a feira e legalizar os vendedoresâ€, afirma.
Os feirantes, embora reconheçam a importância da fiscalização, sentem-se prejudicados financeiramente. A vendedora Marinete Moisés da Silva, que trabalha na feira aos domingos há pouco mais de nove meses e recolhe papel durante a semana, diz que a fiscalização da polícia permite que eles e os compradores sintam-se mais seguros.
“Eu estou juntando o dinheiro das vendas aqui na feira, cerca de R$ 40,00 por domingo, para voltar para Macéio, que é minha cidade de origem. Estou aqui de passagemâ€, conta.
Para o presidente da Associação de Trabalhadores Informais de Bauru, Amilton de Oliveira Coelho, a operação prejudica a imagem da feira junto aos consumidores. Segundo ele, a polícia trata os vendedores como “trabalhadores marginais†e justifica que as pessoas que dizem comprar armas de fogo na feira fazem isso “apenas como uma fuga para não denunciar o real vendedorâ€.
O freqüentador da feira Wilson Roberto Alves apóia a operação e diz que, com isso, ele sente mais segurança para fazer as compras, já que é muito difícil conseguir documentação para objetos antigos.
O presidente da Associação dos Feirantes de Bauru, Moisés Bastos, sugere que seja implantado um sistema de crachás nos feirantes cadastrados na Secretaria da Agricultura e Abastecimento. “Dessa forma, os fiscais poderiam fazer a operação todos os domingos, sendo que os registrados não seriam submetidos a situações desse tipo e a feira continuaria em atividade.â€
Segundo Bastos, cerca de 220 feirantes são cadastrados, sendo 120 na “feira do rolo†e 100 na feira de hortifruti.
A “feira do roloâ€, existente há mais de 20 anos, funciona aos domingos no cruzamento das ruas Júlio Prestes com Gustavo Maciel, no Centro da cidade. Lá são comercializados materiais usados, peças de bicicletas, ferramentas e muitos outros objetos.
Para os interessados em se cadastrar na Secretaria da Agricultura e Abastecimento, o telefone é 235-1062.