Não é erro de redação, não... A economia brasileira sofre com a dolarização automática promovida pela tal da globalização. Está doente e dolorida, em função da injustiça cometida contra as pessoas mais pobres, as quais pagam o preço de termos a elite mais gananciosa e mercenária do planeta.
As concessionárias de serviços públicos têm seus preços reajustados freqüentemente, já que seus proprietários as adquiriram em moeda estrangeira (mesmo tendo sido a preço de banana...), também assim devem receber seus lucros.
O preço do trigo, que é importado em sua maior parte, sobe. O milho é adicionado em substituição à farinha de trigo e também fica mais valorizado. (Por que não produzimos mais trigo, ao invés de pagarmos tão caro por ele?)
Como passamos a exportar mais aço, o preço internamente vai também aumentando em função da tal lei de oferta e procura.
A mesma coisa ocorre ainda com os demais produtos, os quais passam, na globalização, a concorrer no mercado internacional. E tudo vai subindo de preço, para deleite dos capitalistas e dolorização de seus empregados ou desempregados, os quais não têm salário reajustado há muito tempo. Muito antes pelo contrário! Os funcionários públicos estão sem ver um aumento há oito anos.
Há alguns anos que o salário médio do trabalhador brasileiro é reduzido anualmente em 7%, enquanto o PIB per capita cresceu cinco vezes após 1964. De lá para cá, o salário mínimo foi dividido por quatro.
Como alguém, inclusive o Lula, ousa afirmar que há democracia política neste país, se os legisladores visam única e exclusivamente o interesse da elite econômica que lhes financia a campanha eleitoral?
Como há democracia, onde sentenças judiciais são vendidas como um produto qualquer no templo do deus Mercado?
Onde o voto dos congressistas é comercializado pelo mesmo critério?
Como pode haver democracia, onde a mídia é marionete destes mesmos interesses, iludindo o povo simples com uma programação alienante, deixando de cumprir seu papel constitucional de educar, além de divertir?
O problema é que educar o povo é fazê-lo compreender a realidade última das coisas, ou seja, que há uma classe social privilegiada explorando-o há décadas, para não dizer há séculos.
Educar o povo é mostrar para ele quais são os partidos e políticos financiados pelos exploradores do proletariado, permitindo que cada um escolha se quer ser governado por seu algoz ou por um membro da própria categoria.
Enquanto isto não ocorre, continua liberalmente (ou neoliberalmente) o processo sórdido de dolorização da economia, da política e da parte mais fraca (ainda que maior) da sociedade brasileira. (O autor, Heitor Reis, é engenheiro civil, articulista da ABN Agência Brasileira de Notícias e da Kitnet)