Os vereadores José Clemente Rezende (PSB) e José Humberto Santana (PV) registraram ontem na Delegacia Seccional de Polícia um Boletim de Ocorrência (BO), no qual declaram ameaças relacionadas às denúncias de irregularidades na Câmara Municipal de Bauru.
Eles foram recebidos pelo delegado seccional de Polícia, Antonio Angelo Ciocca, responsável pela apuração de crimes envolvendo mandatários de cargos políticos.
Após conversar com os dois, Ciocca determinou a elaboração do BO. “Trata-se de uma ocorrência de ameaçaâ€, explica.
Sem citar nomes, os parlamentares informaram ao delegado seccional de Polícia que ouvem nos corredores da Câmara frases como “nós precisamos parar esses doisâ€.
Segundo Ciocca, o crime de ameaça é subjetivo. “Eles estão se sentindo ameaçados de um mal grave, inclusive contra a integridade física. Qualquer providência de polícia judiciária, dependerá da manifestação expressa delesâ€, diz.
Como ainda não foi feita nenhuma ameaça concreta a Clemente e Santana, o delegado seccional explica que, neste momento, não há necessidade de proteção policial aos dois vereadores.
“Mas ainda vamos voltar a conversar sobre essa possibilidade. Se nós entendermos, bem como se eles entenderem dessa necessidade, as providências serão tomadasâ€, adianta.
Ciocca afirma que está acompanhando de perto o inquérito policial que tramita na Delegacia Seccional de Polícia para apurar as denúncias de irregularidades no Poder Legislativo.
“Estou acompanhando pari passu o desenrolar das apurações. Várias pessoas já foram inquiridas a respeito do assunto. Temos algumas requisições de perícias que foram encaminhadas para o Instituto de Criminalísticaâ€, conta.
O delegado acredita que o resultado das perícias vai ajudar no esclarecimento da situação. Ele lembra que a Câmara Municipal também apura as denúncias através de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) e de processo administrativo e disciplinar.
Intimidação
No BO registrado na Delegacia Seccional de Polícia, consta que Clemente e Santana, há cerca de dois meses, foram alertados pelo promotor de Justiça de Defesa da Cidadania, Fernando Masseli Helene, para que tivessem mais “cuidado†após assumirem a autoria das denúncias de irregularidades contra a Câmara.
“Na época, não levei muito a sério, embora a informação fosse importanteâ€, relata Santana. O vereador do PV explica que nas últimas semanas as ameaças se tornaram mais frenqüentes.
“Não estamos conseguindo identificar de onde elas estão vindo. Ora ocorre por telefone, ora nos corredores da Câmara. Hoje (ontem) pela manhã recebemos uma informação que devemos levar em consideração. É uma frase de efeito que vem sendo repetida: ‘Nós precisamos parar os dois de qualquer jeito’. Esses dois referem-se à minha pessoa e ao vereador Clementeâ€, garante.
Segundo Clemente, “os recados†chegam de todas as formas. “Falam que ‘alguém não tem nada a perder’, ‘tome cuidado’. Com isso, estou me privando de muita coisa que fazia anteriormente. Não faço mais exercício e deixei de andar em alguns lugares de forma mais descontraídaâ€, diz.
O parlamentar garante que não vai se intimidar com as ameaças. “Nós estamos no cumprimento do nosso dever. É obrigação do vereador não omitir o fato. Mesmo com todas essas informações de que é preciso parar os dois de qualquer maneira, nós não vamos parar.â€