Economia & Negócios

Cafeicultor quer recapitalizar Funcaf

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Os cafeicultores brasileiros querem que o Funcafé volte a ter recursos para oferecer financiamento aos empresários deste segmento. Esta foi a principal proposta apresentada ontem, em Brasília, por representantes do setor que estiveram reunidos com a equipe de transição - a pedidos da própria - do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante o encontro, que durou mais de quatro horas, foi elaborado um documento estratégico para a cafeicultura brasileira, e a idéia do grupo é viabilizar uma política cafeeira com ações direcionadas aos próximos quatro anos.

De acordo com o cafeicultor, presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde, que participou do encontro, o Funcafé e o Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (CDPC) são dois órgãos fundamentais para o setor. O Funcafé é responsável pelos financiamentos direcionados a essa área.

Lima Verde explica que o Funcafé tem créditos no valor total de R$ 1,5 bilhão para receber de produtores, referentes a empréstimos que foram concedidos com prazo de pagamento em até 12 anos. Além disso, possui 6 milhões de sacas de café em estoque.

“Já o CDPC, nos últimos dois anos foi esvaziado. Ele foi criado para ter função deliberativa, mas como o governo federal sempre exerceu poder sobre o conselho, ele acabou se limitando a referendar medidas. Então, a idéia é tentar viabilizar uma política cafeeira para os próximos quatro anos através desses dois órgãos”, diz Lima Verde.

De acordo com ele, em princípio o Funcafé tem cerca de R$ 300 milhões em caixa, além das 6 milhões de sacas de café estocadas. Contudo, isso seria pouco para as necessidades do setor.

“Diante disso, uma das principais metas é recapitalizar o Funcafé. Mas isso não vai ser fácil, porque os recursos financeiros deste órgão são provenientes dos produtores. Portanto, estamos organizando um grupo de trabalho para avaliar melhor a forma para poder dar recursos ao Funcafé para que volte a financiar a cafeicultura, independentemente dos órgãos oficiais”, destaca o vice-presidente da Faesp.

Para o CDPC, a idéia é fazer com que ele retome sua função original, de deliberar decisões sem sofrer pressões do governo.

Outra importante questão a ser administrada, segundo Lima Verde, é o que fazer com as 45 milhões de sacas de café que foram colhidas neste ano - recorde de toda a história dos 270 anos da cafeicultura nacional.

“O Brasil vai exportar cerca de 27 milhões de sacas neste ano, além das outras cerca de 28 milhões que ficarão para o próximo ano. O problema aí é equacionar formas para viabilizar isso. Mas o principal ponto é saber qual será o comportamento do PT diante da agricultura em geral. O que sabemos, por enquanto, é que a agricultura familiar será priorizada. Mas não sabemos o que será feito em relação aos produtos para exportação”, por exemplo, observa Lima Verde.

De acordo com ele, no início de janeiro será realizada outra reunião de cafeicultores com o novo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. “Vamos trocar idéias com o ministro já empossado e tomar decisões para o setor. O papel dele será importantíssimo”, afirma o vice-presidente da Faesp.

Participaram do encontro representantes dos Estados de São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Paraná.

Comentários

Comentários