Tribuna do Leitor

2002 - 70 anos do voto feminino e as mulheres de vermelho


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De 1932 a 2002 muita coisa aconteceu nesse Brasil. O país e as mulheres não são mais as mesmas. Em 70 anos o movimento feminista mudou de forma profunda o ambiente doméstico e os espaços públicos. As mulheres abriram caminhos e ocupam espaços nos mais diversos setores. Na representação política, nos canais de acesso ao poder, ainda prevalecem grandes barreiras. As mulheres que representam metade do eleitorado no Brasil, ampliaram o espaço político nas eleições de 2002, apesar de serem ainda minoria no Parlamento e no Executivo. São 8,2 % da Câmara e 5,9% do Senado.

A bancada feminina no Congresso Nacional foi ampliada de 29 para 42 deputadas. Um aumento de 45 % em relação a 98. Nas Assembléias Legislativas o crescimento foi de 25 %. No Senado, subiu o número de 5 para 10. Em 1998 foram 348 candidatas e agora, 562 – um aumento de 60%. Na prática poucos partidos cumpriram a lei de cotas, (de ter no mínimo 30 % de candidatas). O PC do B se destacou e entre seus eleitos 29,4 % são mulheres. O PSC fez um percentual de 23,08, o PT 19,73, o PSB 16,95, o PSDB 15,83 e o PMDB 15,67 por cento.

Um levantamento do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), aponta que são 133 as deputadas estaduais eleitas. É significativo o número do Rio de Janeiro – 14. Em seguida vem São Paulo – 10, Minas Gerais – 9, e demais estados, Maranhão, Ceará, Pará e Pernambuco elegeram 8 por estado. Serão 8 novas senadoras. Merecem destaque 13 campeãs de votos em seus estados. A maioria delas pertence a partidos de esquerda. São elas: Denise Frossard PSDB (RJ); Fátima Bezerra PT (RN); Francisca Trindade PT(RJ); Janete Capiberibe PSB (AP); Cátia Abreu PFL (TO); Maria Helena PST (RR); Perpétua Almeida PC do B (AC) e Vanessa Grazziotin PC do B (AM).

Para o senado, exceto Roseana Sarney, primeiro lugar no Maranhão, as demais são petistas: Marina Silva (Acre), Ana Júlia (Pará), Fátima Cleide (Rondônia) e Ideli Salvati (SC). O PC do B há muito tempo vem defendendo a importância das mulheres na política e se apóia no movimento social de mulheres, a União Brasileira de Mulheres - UBM.

As deputadas do PC do B e as demais mulheres de aposição tem o desafio agora de trabalhar na perspectiva de gênero e lutar contra as injustiças sociais. O apelo às mulheres foi marcante na campanha eleitoral. Alguns candidatos a presidente recorreram a elas para subirem aos palanques, outros como companheiras de chapa, mas em nenhum momento se referiram a programas endereçados às mulheres. A bancada feminina de vermelho, eleita pelo PC do B, à Câmara Federal: Jandira Feghali (RJ), Vanessa Grazziotin, Alice Portugal (RA), Perpétua Almeida ; e nas Assembléias, Ana Martins (SP), Roseli (AP), Jô Moraes (MG), Sandra Batista (PA), Jussara Cony (RS), prometem um trabalho sério, juntando às muitas frentes de luta a perspectiva de gênero, e a busca do novo. (Vereadora Maria José Majô Jandreice - RG 6.028.582)

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