Crimes bárbaros. Homicídios... Rebeliões. Vandalismo. Mortos e feridos. Fugas. Seqüestros... Sujeitos desse cenário: crianças, jovens, adultos e idosos... Ninguém mais é poupado.
Nas cenas de violência, o que mais nos inquieta é a banalização da vida e da dignidade humana. Há uma necrose nos relacionamentos, que deteriora o tecido social e demonstra uma total ausência de valores e a cultura de morte.
Uns atribuem a culpa à polícia. Outros, à falta dela. As drogas, o álcool, quem sabe... Doenças mentais. A culpa é da sociedade...
O Estado se defende, por um lado, enquanto a sociedade ataca, por outro. Todos discutem suas razões, mas não se vê a causa mais profunda: a solidão do indivíduo massificado; a crescente desagregação da família; a falta de um sentido para a vida.
Nossas crianças são acostumadas e induzidas à violência, desde a mais tenra idade, sobretudo pela TV, que atingiu níveis insuportáveis de mau gosto, vulgaridade e violência.
Todo infrator porta consigo a sua história particular e esta, na maioria das vezes, é marcada por traumas, rejeições, discriminações, violências, conflitos pessoais, sociais ou familiares. Sem encontrar soluções para tantos dramas pessoais e na busca fantasiosa de sua imagem perdida, acaba se embrenhando, cada vez mais, nos grupos criminosos. Daí para a violência, o consumo e o tráfico de drogas, a compulsão e a banalização da vida humana, são breves passos de uma única caminhada.
A nítida sensação de impotência em que nos encontramos deve ser uma oportunidade para que o Estado e a sociedade repensem, com seriedade, a situação da criança, do adolescente e da família em nosso País.
É preciso mudar! Não basta mais nos colocarmos em posição de ataque. Cada um de nós deve oferecer a sua contribuição, alicerçando em si os valores e a cultura da vida, para, com coerência, transmitir essa formação às nossas crianças e adolescentes.
Aproxima-se o Natal e o aniversariante do dia nos lembra de que não há nada mais potente no mundo do que o amor verdadeiro e desinteressado. Amor que deve ser oferecido a todos, indistintamente.
Se o Natal nos recorda o nascimento do Menino Jesus, ocorrido há mais de 2 mil anos, deve, também, levar-nos a refletir sobre como o nosso coração acolhe esse Menino e o que fazemos para dar testemunho d’Ele. Qual o nosso comprometimento social ante os sofrimentos que se nos apresentam no dia-a-dia?
Nunca é tarde demais para recomeçar. Ainda há tempo. E o tempo é agora! O Natal acontece todos os dias, quando alguém abre o coração para acolher Jesus e testemunha isso com sua própria vida.
Então... Feliz Natal, para todos os dias de sua vida! (A autora, Ana Maria Marcondes Cesar, é pedagoga e estudante de Direito. e-mail: anamariamcesar@hotmail.com)