A matéria do domingo, dia 8, do Jornal da Cidade, sobre os milhares de famintos que vasculham sacos e latas de lixo nesta suja e esburacada Bauru é representativa do Brasil governado há 8 anos pelo professor Fernando Henrique Cardoso.
O professor Cardoso, lá pelas décadas de 1960 e 1970, era um cientista político considerado. Tinha assento em congressos internacionais e sua palavra muitas vezes soava como emissão de um sábio.
Passados vinte e tantos anos, eis o professor Cardoso na Presidência da República, por meandros e alianças político-partidárias que o discurso do cientista político sábio sempre condenara. Não se inibiu nem mesmo naqueles expedientes condenáveis usados para alterar a Constituição e garantir sua reeleição em 1998.
O sábio virou sabido. Habituado aos cardápios sofisticados dos restaurantes parisienses, encarou com bravura as buchadas de bode oferecidas nos grotões do Nordeste por ACM, Inocêncios e outros espécimes da fina flor do coronelismo. Tudo era válido em função do Poder que, aliás, sempre o deslumbrou. Passou mais de ano viajando. Viagens que nada agregaram ao peso político do Brasil, que aumentou sua subserviência, apesar de ostentar a 11.ª colocação entre os PIB’s do planeta.
Um país rico, mas com dezenas de milhões famintos, dos quais os de Bauru, contabilizados pelo JC, são uma pequena amostra. Não vamos nem falar dos graus de violência e de outras carências sociais, onde o Brasil do penta, é campeão mundial.
A propósito das viagens, essa última para Nova York, de FHC, dona Ruth e mais 30 convidados, com passagens e diárias pagas pelo nosso bolso, é o coroamento adequado dos “tempos de FHCâ€, que deixa uma trágica herança para o seu sucessor. (Homero dos Santos Rabello - RG. 22.345.967)