Polícia

Rapaz é executado com nove tiros

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O servente de pedreiro Adenilson Gonçalves Pereira, 21 anos, conhecido por Viola, foi executado com nove tiros na madrugada de ontem, no Ferradura Mirim. A polícia ainda não sabe o motivo do crime e procura pelo autor ou autores dos tiros. A família diz que espera a justiça divina, porque não confia na justiça dos homens.

O crime aconteceu por volta da 1h30, na quadra 4 da rua 13, próximo de um bar. O corpo foi encontrado pela Polícia Militar no quintal da casa de número 4-49, para onde o rapaz já ferido teria corrido na esperança de conseguir socorro.

Pereira foi executado com nove tiros. Segundo o Instituto Médico Legal (IML), os disparos atingiram a cabeça, as duas pernas, o braço, o abdome e o tórax. A execução aconteceu a 100 metros da casa onde Viola morava com o pai e irmãs.

A família está transtornada com a morte, conta Marinalva Carmem Gonçalves, uma das irmãs. “Minha mãe mora no Paraná e ainda não sabe (da morte). Ela vai sofrer muito. Meu pai tem 92 anos e teve que ser medicado”, revela.

Marinalva acha que a morte de Viola está relacionada a uma briga ocorrida na quarta-feira na favela. “Meu irmão foi levado pela Polícia Militar como sendo autor de um tiro que atingiu um rapaz. Ele não tinha nada com o crime”, afirma.

Ela garante que o irmão foi preso erroneamente. “Eles (os policiais) levaram meu irmão e deixaram os caras armados na favela. Foram eles que voltaram para matar meu irmão”, acredita.

De acordo com ela, Pereira, que estava desempregado, não tinha arma. “Só se alguém estivesse distribuindo armas aqui na favela porque ele não tinha dinheiro para comprar uma. Nós vivemos com dificuldades, não temos dinheiro nem para comprar arroz. Como vamos adquirir uma arma?”questiona.

Ela conta que teve que pagar advogado para tirar o irmão da cadeia. “Estou com uma dívida de R$ 150,00 com o advogado. Ele saiu da cadeia e os caras vieram executá-lo”, sustenta. Marinalva diz que aconselhou o irmão a ficar dentro de casa. “Eu falei para ele não sair na noite de quinta-feira. Pedi para ele dormir cedo porque os caras iam voltar”, relembra.

“Só a justiça divina”

Marinalva afirma que à família restou velar e sepultar o corpo de Pereira. “O que nós vamos fazer?”, questiona. Ela acredita que pela justiça dos homens os criminosos continuarão soltos. “A polícia não faz nada e eu não vou procurar levar chumbo”, desabafa.

Na opinião dela, a morte do irmão poderia ter sido evitada se a polícia tivesse prendido os verdadeiros autores do disparo feita durante a briga de quarta-feira. “Se a polícia tivesse prendido os autores, eles estariam na cadeia e meu irmão estaria vivo”, reclama.

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru está investigando o assassinato de Pereira, segundo o titular, José Jorge Cardia. “Estamos com uma equipe trabalhando no caso”, diz.

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Silêncio

O corpo de Adenilson Gonçalves Pereira foi encontrado no quintal da casa do catador de papel Daniel Soares, que afirma não ter visto quem matou o rapaz. “Eu não vi nada. Escutei os tiros e quando saí para ver o que estava acontecendo, deparei com a polícia no quintal”, diz.

Soares admite que se assustou com a situação. “Nós somos trabalhadores, não temos nada com isso. Minha filha de 7 anos teve que ser tirada daqui. Ela sofre do coração e ficou em pânico”, relata.

Soares conta que apesar de morar muito próximo da casa da vítima, não a conhecia. “Eu não conhecia o Viola. A gente mora na favela e ouve falar em vários nomes, mas eu desconhecia quem era ele”, sustenta.

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