Articulistas

Novos partidos: como precisam ser?


| Tempo de leitura: 2 min

Se a vitória de muitos dos candidatos e a derrota de tantos outros não constituíram surpresas no recente pleito eleitoral nem assim ficou a eleição isenta de fatos surpreendentes, pois se aquilo deixou de acontecer outras coisas diferentes marcaram a fisionomia da jornada eleitoral. Uma das principais foi a inesperada presença de vários novos partidos, cujas legendas, completamente desconexas, apareceram durante a dilatada propaganda e, depois, no decurso das rápidas apurações. Teriam conseguido as novas organizações tudo quanto sonhavam ou pretendiam? Nem tudo, tem-se de convir, porquanto a maioria do eleitorado não lhes endereçou toda a bola que seus “craques” esperavam isolados nas respectivas áreas, para fazer gols ou pelo menos atirar bolas perdidas contra as redes dos “goleiros”. E tanto isso ocorreu porque o eleitor, pouco fascinado pelas novas siglas, entendia que poderia até votar em seus candidatos mas não filiar-se expressamente aos seus quadros, por inferir que, como na República Velha e também no Império, novos partidos teriam de nascer sempre de cima para baixo, o que não estava acontecendo agora, ainda que tivessem, como têm as correntes políticas, a convicção de que o País já atingiu a idade de abandonar a equivocada postura de só julgar as coisas como ótimas ou péssimas, perfeitas ou imprestáveis, tendência que constitui reflexo de subdesenvolvimento político, com implicações inclusive nas nossas relações internacionais. Até por isso, torce a população por uma nova reformulação partidária que insira claramente objetivos, metas, estratégias e cronogramas, assim como dirigentes inteligentes, honestos, e, portanto, totalmente aceitáveis, a fim de que o registro e funcionamento das novas organizações possam ser plenamente válidos e aceitos por seus adeptos, ainda que inicialmente poucos mas com tendências para aumentar. Condição sine qua non para tanto? Tenham os partidos quantidade extraordinariamente elevada de filiados nos principais Estados da Federação, sem o que terão de ser rejeitados do sistema, porque com a finalidade específica de fazer número apenas já existem bastante por aí desde tempos imemoriais. E devem começar a reunir mais adeptos desde logo, antecipando-se aos futuros pleitos, inclusive o das eleições municipais que já estão batendo às portas do eleitorado. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

Comentários

Comentários