Bauru e região vão ganhar um novo espaço para encontros de carros antigos. O local, na quadra 13 da rua Alves Seabra, será inaugurado amanhã, a partir das 8h, com uma presença ilustre e carregada de nostalgia: o ator Carlos Miranda, protagonista da série televisiva Vigilante Rodoviário, um sucesso de audiência nos anos 60.
O espaço, de cerca de 1.500 metros quadrados e capacidade para reunir cerca de 60 automóveis, é administrado pelo comerciante Ariel Gusmão da Silva. Ele ressalta que o objetivo principal do recinto é reunir quem goste de um bom bate-papo. “Atualmente, não há locais na cidade destinados a esta finalidade para os admiradores de carros antigosâ€, considera Ariel.
O comerciante explica que a idéia é realizar reuniões segmentadas de segunda-feira à sexta-feira e gerais aos finais de semana. “A pretensão é efetuar encontros por marcas diariamente e, aos sábados e domingos, abertos a todosâ€, explica ele. “Podem participar carros antigos e até mesmo os fora de linha, como Opalas, Maverick, Dodge e Corcel, por exemploâ€, acrescenta.
Ele revela, ainda, que planeja transformar o lugar em um clube, com piscinas, quiosques, área de lazer e um shopping de automóveis. Atualmente, já há uma sala de jogos e petiscaria. “Queremos que Bauru seja reconhecida como uma cidade que admira veículos antigosâ€, enfatiza o comerciante.
A série
Com a criação da Polícia Rodoviária de São Paulo, em 1948, e o surgimento da televisão no Brasil, em 1950, um grupo decidiu criar uma série totalmente realizada por brasileiros: nascia o Vigilante Rodoviário.
A bordo de uma motocicleta Harley-Davidson 1952 ou de um “inovador†Simca Chambord 1959, carro que também estará presente no evento em Bauru, o inspetor Carlos e seu cão Lobo ainda trazem lembranças para quem acompanhou o seriado.
A dupla era bastante simpática aos brasileiros que, além de inspirar confiança, proteção e segurança, fazia veicular mensagens educativas. A idéia inicial do grupo de produção era realizar 39 filmes, pois quando se vende um seriado anual para a televisão (52 semanas) pode-se exibir, por exemplo, 39 episódios com 13 reprises ou 26 episódios com 26 reprises.
Assim, ficou resolvido a produção de um episódio piloto que possibilitasse dar uma visão global do produto aos eventuais anunciantes, um deles chamado “Diamante Gran Mongolâ€, realizado no litoral de Santos em 1959.
A série começou a ser exibida em março de 1961 na TV Tupi de São Paulo, transmitida todas as quartas-feiras, às 20h, após o telejornal “Repórter Essoâ€. No Rio de Janeiro a série era transmitida às quintas-feiras, pois devido às dificuldades tecnológicas da época, era necessário levar a cópia do filme para cada emissora para que fosse transmitido.
O seriado era dirigido por Ary Fernandes e produzida por Alfredo Palácios e serviu para lançar grandes nomes como Ary Fontoura, Ary Toledo, Juca Chaves, Fulvio Stefanini, Milton Gonçalves, Eva Wilma, Rosamaria Murtinho e Stênio Garcia, entre outros.
O cão Lobo, seu inseparável amigo dentro e fora das telas da TV e do cinema, morreu em 1971. O pastor alemão pertencia a um soldado da antiga Força Pública e chamava-se originalmente “Kingâ€. Foi mudado para “Lobo†porque o seriado pretendia exclusivamente a língua nacional.
A Harley Davidson, que atualmente encontra-se em um museu particular de Bebedouro (SP), pertencia à Polícia Rodoviária Estadual, na época vinculada ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER) - e não à Polícia Militar, como ocorre hoje. (Fonte: site www.itanhaem.sp.gov.br/biocmiranda.htm)
• Serviço
Os interessados em agendar o local para encontros devem entrar em contato pelo telefone (14) 212 1177.
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A vida imita a arte
Carlos Miranda é paulistano da Mooca, nascido em 29 de julho de 1933. Sua vida, curiosamente, imitou a arte. O seriado acabou há muito tempo e Miranda é um caso raro de ator que encontrou a fórmula para jamais sair de cena, ao transportar para a vida real um personagem. Depois de brilhar na TV e no cinema, decidiu ser patrulheiro de verdade. Deu adeus ao mundo artístico e ingressou na Polícia, onde aposentou-se como tenente-coronel em 1988.
Anos mais tarde, tiraria do armário a velha indumentária que era utilizada pelo “Vigilante Rodoviário†para realizar palestras educativas com relação ao trânsito.
Em 1972 participa da montagem e interpretação do épico brasileiro “Independência ou Morteâ€, estrelado por Tarcisio Meira, Glória Menezes, Dionísio Azevedo, Kate Hansen, Emiliano Queiroz, Anselmo Duarte e grande elenco. O filme foi produzido por Oswaldo Massaini, dirigido por Carlos Coimbra. (Fonte: site www.itanhaem.sp.gov.br/biocmiranda.htm)