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Família era a preocupação, diz vítima

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O estudante Danilo Carlos Travain, 20 anos, passou três dias nas mãos dos seqüestradores. “Eles me trataram bem.Tive comida e bebida e não fui agredido”.

A preocupação dele, no entanto, foi com os pais. “Sou filho único e fiquei muito preocupado com os meus pais. Sei que eles sofreram muito e eu nunca pensei que pudesse passar por isso. Não desejo isso nem para um cachorro.”

Apesar de ter passado pelo pesadelo do seqüestro, o estudante não se mostrava abalado psicologicamente, ontem. “Estou cansado.”

Ele lembrou que conhecia “Gaúcho” da loja. “Ele ia sempre fazer compras de material de construção. Ele sempre comprava com o meu pai. De uns tempos para cá, ele começou a conversar comigo.”

Na quarta-feira à tarde, ele me procurou para vender um trator. Eu não quis e ele me ofereceu uma comissão para eu vender para ele. “O Gaúcho falou que o trator estava numa caminhonete. Com ele estava um outro rapaz. Ele pediu para eu trazer um carro que ele tinha alugado. Eu aceitei trazer o carro porque a documentação estava em nome da locadora.”

O estudante saiu com “Gaúcho” e quando chegaram na Bauru/Marília, o acompanhante, até então desconhecido, sacou um revólver e avisou que era um seqüestro. “Você está seqüestrado e não adianta reclamar.”

Até ser levado para o chalé, na noite de quarta-feira, o estudante andou por caminhos desconhecidos. “Eles rodaram muito. Esperaram escurecer para me levar para o chalé.”

Tinha fé de encontrá-lo vivo, diz pai do estudante

O pai do estudante sequetrado, o comerciante Airton José Travain, 47 anos, confessa que em nenhum momento perdeu a esperança de encontrar o filho vivo. “Sou muito católico e rezamos muito. Os amigos nos ajudaram a superar esse pesadelo.”

Ele diz que não tinha o dinheiro. “Pedi emprestado para os amigos e parentes. Eu estava desesperado, nunca imaginei passar por isso. A gente vê na televisão, mas não acredita que possa acontecer com a gente.”

O momento mais difícil para a família, segundo o comerciante, foi quando o seqüestrado ligou para os pais. “Ele ligou desesperado, pedindo pelo amor de Deus para que a gente livrasse ele do pesadelo.”

Além de ligar para os pais, Danilo Travain teria ligado para outros parentes pedindo socorro. “Os parentes ficaram transtornados, também”.

Um jovem de 24 anos está desaparecido desde a manhã de sexta-feira, em Bauru. Seu nome está sendo mantido em sigilo pela família. O carro, um Corsa, foi encontrado no núcleo Fortunato Rocha Lima, intacto.

Desaparecido

A Delegacia de Investigações Gerais(DIG) está investigando o caso, mas até o fechamento desta edição não tinha muitas informações.

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