Bairros

'Papai Noel' anônimo vira tradição

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O gesto já virou tradição. Todos os anos, personagens anônimos se transformam em heróis e fazem a alegria dos moradores dos bairros mais carentes da cidade. São cidadãos que se vestem de Papai Noel e distribuem milhares de brinquedos para as crianças nos locais onde a população luta diariamente para sobreviver.

“Eu não consigo deixar de fazer essa campanha de Natal, pois as pessoas já acostumaram com isso”, diz o aposentado Natal Segantin, que há nove anos visita vários pontos da cidade distribuindo brinquedos.

Ele consegue as doações junto a diversas famílias de Bauru, que se solidarizam e o procuram para colaborar. “Geralmente, quem ajuda são pessoas que não têm muitas condições financeiras. É difícil conseguir doação com os empresários”, destaca.

Há dois anos, Segantin tentou suspender a campanha. No entanto, a força do seu gesto já está tão marcada junto à comunidade que ele acabou tendo que voltar atrás na sua decisão. “Eu resolvi parar porque a minha nora faleceu e a família estava bastante abalada com essa perda”, justifica.

Como as doações continuaram aparecendo, ele não teve como deixar de sair às ruas para distribuir os brinquedos. Mesmo sem condições emocionais, realizou a campanha em 2000 e no ano passado.

Todo mês de dezembro, como faz há sete anos, a funcionária pública estadual Pierangela Filizzola se dedica a uma causa nobre: sai em busca de arrecadações para levar ao Parque Jaraguá e fazer a alegria das crianças. Ela faz questão de se vestir a caráter e organizar a festa na casa de uma moradora do bairro. â€œÉ muito emocionante ver todos aqueles olhinhos brilhando na expectativa de ganhar o presente”, diz.

No começo, ela conseguia cerca de 500 peças para a campanha. Atualmente, já passa de 2 mil. “As pessoas vão se acostumando com a gente e se prontificam em nos mandar o brinquedo”, explica.

Sem destino

Depois de criar dez filhos enfrentando muita dificuldade financeira, Maria Madalena Braz de Oliveira, a Madalena Branca, resolveu virar a “Mamãe Noel” de milhares de crianças moradoras do bairro Ferradura Mirim e vizinhança.

Desde 1995, ela organiza uma caravana natalina no bairro, levando presentes e muito carinho para os moradores do local. “Eu fiz uma promessa: pedi a Deus que me ajudasse a criar bem os meus filhos. Se conseguisse isso, iria ajudar as outras pessoas”, salienta.

Sem fantasia e sem destino certo para entregar as doações, o funcionário público Jorge Munhoz realiza, há 11 anos, o sonho de muitos pequenos que vivem em condições precárias na cidade.

Ele consegue os presentes junto à comunidade e, no dia 24 de dezembro, véspera de Natal, coloca tudo no carro e sai pelas ruas de Bauru entregando os pacotes para quem encontra na rua. “Eu observo as crianças e vejo quais são aquelas que realmente não têm acesso a nada. É para ela que entrego os presentes”, diz.

Munhoz conta que prefere seguir esse esquema por ter certa dificuldade para se locomover. “Eu ando de muletas e a indumentária iria atrapalhar bastante. O importante é entregar o brinquedo”, frisa.

Geralmente, ele arrecada cerca de 800 brinquedos nessa época do ano. Embora não tenha um local certo para fazer a distribuição, Munhoz salienta que muitas crianças ficam ansiosas esperando a sua passagem pelo bairro. “Como faço isso há 11 anos, muita gente já se acostumou comigo e não vê a hora de ganhar o presente.”

A região do Núcleo Fortunato Rocha Lima costuma ser a mais visitada pelo “Papai Noel” anônimo, mas ele pode mudar de direção se perceber que há locais com uma demanda maior de carentes.

A professora da Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Giselli Tamarozzi Lima, explica que esse tipo de trabalho realizado por voluntários é tão importante para quem recebe como para quem realiza. “Quem organiza também está recebendo um presente, pois a resposta da solidariedade é tão forte que completa o coração da pessoa que se propõe a doar”, salienta.

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