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Para "mercado", pobreza detém inflação

David Torres - presidente (*)
| Tempo de leitura: 2 min

Quanto mais avança o liberalismo e a globalização, mais e mais essa figura mítica chamada “mercado” se sobressai, dita regras de governança e se sobrepõe ao Poder Público e às corporações transnacionais. Trata-se de um ser que não tem cara, nem corpo, ninguém consegue ver nem apalpar, mas está presente em todas as partes e em todos os momentos. É um ser invisível, mas atuante, capaz, inclusive, de ficar “nervoso” diante de qualquer gesto dos governantes ou atitudes das grandes corporações, razão pelo qual tornou-se comum ao mais simples cidadão prestar atenção nas reações do tal “mercado”.

Neste ano, não foi apenas o noticiário sobre as eleições que ganhou destaque na mídia, os movimentos da economia chegaram a chamar mais a atenção das pessoas pelos desdobramentos que têm os fatores econômicos sobre o nosso dia-a-dia. Em conseqüência disso, expressões como “risco-país”, “mercado nervoso” e outros jargões do dialeto “economês” apareceram com grande destaque nos noticiários. Pois bem, então é bom que todos nós fiquemos atentos a uma previsão que o chamado “mercado” está fazendo para o ano de 2003. É uma previsão sombria, nada agradável. Refere-se à inflação.

Nós já estamos cientes de que, com o “nervosismo” do mercado neste ano que está terminando, os juros voltaram a subir, o dólar disparou e os preços começaram a acompanhar a subida do dólar. Com isso a taxa de inflação medida pelo IBGE, ou seja, aquela que o governo reconhece como oficial, passou dos 10% nos 11 meses deste ano, quando a meta era de chegar, no máximo, a 4,5%. A tendência não é de declínio da inflação. Ao contrário, é de elevação, inclusive por razões psicológicas, como já se viu em um passado não muito distante. O novo governo ainda não definiu sua política para conter a inflação e dar estabilidade à moeda.

O governo que está encerrando seu mandato tinha como política estabelecer metas de inflação e para atingi-las o Banco Central elevava os juros. Essa política acabou fracassando, haja vista a disparada inflacionária dos últimos meses. Como não se sabe, neste momento, qual o rumo que será tomado para conter a inflação no futuro, o “mercado” entende que o dragão será domado com a queda da renda da população. O raciocínio do “mercado” é mais ou menos o seguinte: com a população mais pobre o consumo cai e os comerciantes não podem aumentar preços. Quanto a nós, consideramos que a solução é outra. Acelerar o desenvolvimento, aumentar a oferta de produtos. Quando a oferta é maior que a procura os preços caem. A solução, portanto, não é mais pobreza e sim mais riqueza.

(*) Sinafresp

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